Enquanto o e-commerce tem registrado crescimento durante a pandemia do coronavírus Covid-19, o varejo de automóveis não tem tido a mesma sorte. O setor despencou em abril, segundo informe da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Para se ter ideia, na primeira quinzena de abril foram emplacados cerca de 19 mil automóveis de passeio e comerciais leves. Comparado com a mesma quinzena de 2019, corresponde a uma queda de 80%.

 

Segundo pesquisa da consultoria Nielsen, foi registrado aumento de usurários em compras online desde o início da pandemia - subiu 17%. No caso de autosserviços, como supermercados, o crescimento foi de 96%. E o varejo de automóveis está fora dessa conta.

Com as concessionárias fechadas e grande parte da população em isolamento, o negócio de automóveis praticamente se estagnou. Uma das razões é o fato de o mercado de automóveis ainda ser praticamente analógico. Entraves como estoque, logística, registro são entraves que fazem com que vender um tênis seja mais fácil que um carro. Mas não servem como desculpa. Para se ter uma ideia, apenas a Renault conta com sistema de vendas on-line. Serviço que foi lançado em 2018 para o Kwid e que passou a contemplar toda gama em fevereiro. 

Delivery
Outro fabricante que também apostou num canal de venda não presencial foi a Ford. No final de março, quando lançou, virtualmente, a Ranger Storm, a marca anunciou que o modelo estaria disponível para compra online, com direito a entrega do carro no domicílio do cliente. Na semana passada, a marca do oval azul lançou o serviço “Compre Sem Sair de Casa”, que expande a modalidade para o restante do portfólio.

No sistema da Renault todo processo é automatizado e o comprador elabora passo a passo o processo de compra. Ele pode inclusive visualizar as unidades em estoque ou o tempo de entrega e adicionar o usado na transação. É possível fechar a compra no final do processo, como num e-commerce convencional, como aquela loja de calçados ou eletrônicos.

“O consumidor quando vai à concessionária já decidiu sua compra. Ele já fez todas as pesquisas na internet, conferiu análises e vídeos. Nada mais natural que oferecer uma ferramenta de compra nesse ambiente”, explicou o diretor de comunicação, Caíque Ferreira, em visita ao Hoje em Dia, semanas antes de ampliar a plataforma para toda gama.

Já no sistema da Ford, o consumidor preenche um formulário, com dados pessoais, endereço, modelo desejado, forma de pagamento, se incluirá usado na transação e concessionário mais próximo. O formulário é remetido ao concessionário, que entra e contato para concluir a negociação. Muito parecido com sites de venda de usados.

“Nesse momento, sabemos que as atenções estão totalmente voltadas para a proteção e saúde das pessoas. Mas também percebemos que alguns clientes mantiveram suas compras, pois precisam de um carro para se locomover com mais segurança”, explica diretor de Marketing, Vendas e Serviços da Ford, Antonio Baltar Jr.. “O objetivo desse novo canal é oferecer comodidade e conveniência para que ele possa fazer todo o processo de compra do veículo sem precisar sair de casa”.

Atraso
Trata-se de ferramentas que são inovadoras no setor, mas que existem em outros segmentos da economia há anos. E revelam como mercado de automóveis novos parou no tempo. A grande maioria dos sites de fabricantes permitem apenas que cliente configure o automóvel desejado e encaminhe uma proposta, sem conclusão da compra. 

A General Motors, por exemplo, conta com uma página de ofertas em seu site. Nela é possível preencher uma ficha de interesse de compra e definir a revenda. As informações são encaminhadas para o revendedor que entra em contato com o consumidor.

Grandes empresários não se cansam de dizer com peito estufado: períodos de crises são momentos de grandes oportunidades. Talvez essa seja a hora de a indústria do automóvel entrar no de vez no e-commerce.