As vereadoras eleitas pelo Psol, Áurea Carolina e Cida Falabela, que fazem parte das “Muitas – Pela Cidade que Queremos”, coletivo de ativistas de direitos sociais, estão trabalhando no espaço batizado de “Gabinetona”, um gabinete legislativo conjunto e que pretende estar permanentemente integrado a movimentos sociais e outros atores da sociedade civil da cidade, afirmam.

Conversamos com Áurea Carolina, que é cientista política e educadora popular, e foi a vereador mais votada nas eleições de Belo Horizonte, no ano passado, com 17,4 mil votos.

Qual é a proposta do mandato integrado de vocês?
É um mandato das lutas da cidade, que tem a confluência das “Muitas”, da Frente de Esquerda Socialista e de ativistas autônomas. Mas será um espaço de resistência popular que extrapola as fronteiras das Muitas e do PSol. A ideia é que seja mandato em rede, com um espaço de construção permanente. O núcleo de mobilização do gabinete desenvolveu o conceito de “megafonizar” as diversas lutas da cidade, dando voz dentro do Legislativo às demandas que vem das ruas, e de ser um mandato que constrói junto.

Que iniciativas vocês pretendem implementar para o diálogo e a participação com quem está “fora” da Câmara?
A ideia é ter uma agenda de atividades abertas para a cidade participar conosco e ir além dos trabalhos da “Gabinetona”. Estamos concebendo espaços de participação. São iniciativas que vamos experimentar. A intenção é fazermos encontros abertos, oficinas de construção de projetos de lei e espaços de formação política. Tudo isso está sendo construído com muito cuidado, para que as contribuições feitas nesses espaços sejam de fato incorporadas. 

E quais serão os eixos prioritários no momento? O Projeto do Novo Plano Diretor da cidade, que envolve a questão das ocupações urbanas, por exemplo, deve ser um foco?
O Plano Diretor sem dúvida é um dos principais projetos da cidade hoje. A nossa plataforma de campanha será o ponto de partida para a nossa atuação – a agenda da política cultural, dos direitos das mulheres, das juventudes, do direito à cidade, e da mobilidade urbana, por exemplo, são questões muito caras a nós.

Como vocês têm visto o ambiente da Câmara?
Estamos decifrando o funcionamento de uma instituição supercomplexa e entendendo os mecanismos internos. Nosso enfoque é planejar, o que vale para toda a equipe do mandato.

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