Em voo solo nesta campanha eleitoral, ausente de todos os eventos do PSDB até o momento, o candidato a deputado federal Aécio Neves (PSDB) tem usado material de campanha para tentar se associar ao pupilo político Antonio Anastasia (PSDB), candidato ao governo de Minas, e ao presidenciável Geraldo Alckmin.
 
A reportagem do Hoje em Dia teve acesso a uma “colinha” de Aécio distribuída no município de São João del-Rei, na região Central de Minas. A cidade é reduto eleitoral do tucano e berço de seu avô, Tancredo Neves.
 
A parte frontal do santinho exibe uma foto de Aécio sob o slogan de campanha: “Quem já fez muito por Minas Gerais, vai fazer muito mais”. No verso do material eleitoral, constam os números das candidaturas de Anastasia e Alckmin, mas o sobrenome do ex-governador de São Paulo aparece escrito com erro (“Alkmin”, sem o “C"). Por meio de nota, a assessoria de Aécio reconheceu o equívoco nas impressões, alegando que “foi informada do erro, mas manteve a distribuição do material, uma vez que o objetivo central da peça gráfica é a informação do número e não a grafia do nome do candidato”.
 
Além dos dois caciques tucanos, o santinho também conta com as numerações dos candidatos ao Senado da coligação “Reconstruir Minas”, Rodrigo Pacheco (DEM), e Dinis Pinheiro (SD). Apenas a indicação numérica de deputado estadual consta em branco. Isso porque Aécio não está fazendo dobradinha com nenhum candidato a deputado estadual para conseguir palanque e angariar votos em outras regiões do Estado, como é comum durante a campanha.
 
Disputa tardia
 
Isolado no PSDB, Aécio entrou tardiamente na corrida eleitoral, ao anunciar sua candidatura a deputado federal apenas em 2 de agosto, três dias antes do prazo final das convenções, que definem os candidatos, de acordo com as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O tucano abriu mão de concorrer à reeleição ao Senado na chapa de Anastasia para “preservar” o senador, diante das denúncias de corrupção passiva e obstrução da Justiça que Aécio responde. Ele é alvo de denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), após ser flagrado pedindo R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, dono da J&F, sob a justificativa de que precisaria de dinheiro para pagar despesas jurídicas relativas à Operação Lava Jato.
 
Aécio lançou sua campanha no dia 25 de agosto, sem alarde ou convidados de peso, em um evento realizado numa fazenda a 5 km de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, rodeado de algumas dezenas de eleitores. Até o momento, o tucano não compareceu a nenhum encontro do PSDB; nem mesmo às convenções regional e nacional do partido, realizadas no início de agosto e que selaram as candidaturas majoritárias do partido.

Aécio Neves

Santinho de Aécio Neves com o slogan da campanha