Trabalhar em casa – no chamado home office – para tentar frear a contaminação pelo novo coronavírus tem sido uma atividade dolorosa para quem não toma alguns cuidados. Afinal, muita gente deixou escritórios ou outros locais de trabalho com condições ergonômicas mais adequadas, para passar horas na mesa de casa e em cadeiras não tão confortáveis.

No fim de março, mês de chegada da pandemia de Covid-19 ao Brasil, 59,9% dos brasileiros estavam trabalhando em home office, segundo pesquisa da empresa de monitoramento de mercado Hibou, em parceria com a plataforma de dados Indico. 

Outro levantamento, dessa vez feito pelo Google Trends, ferramenta de análise de tendências do Google, revelou crescimento de 76% nas buscas pela expressão “dor nas costas” a partir de 26 de fevereiro, com pico em 25 de maio.

“A má postura não tem consequências apenas estéticas, ela também pode causar problemas físicos, que prejudicam a qualidade de vida”, alerta a personal trainer e instrutora de Pilates Raquel Carvalho. Manter uma postura errada, reforça, pode afetar diferentes partes do corpo. “Ainda que os problemas não apareçam de imediato, é provável que, a médio e longo prazos, possam se pronunciar por meio de diferentes doenças”. 

Raquel pondera que uma das consequências mais significativas da postura inadequada, principalmente neste período em que as pessoas estão trabalhando em home office, se manifesta nas alterações e dores na coluna vertebral, em especial, nas regiões cervical e lombar.

As longas horas de trabalho sentado, aliadas a vícios posturais, diz ela, também podem ser responsáveis pelo surgimento de Dort (doença osteomuscular relacionada ao trabalho) e LER (lesões por esforços repetitivos), cujos sintomas incluem distúrbios do sono, dores de cabeça e fadiga muscular. 

A psicóloga Tabata Oliveira Santos, que atua como Analista de RH, está em home office desde março e admite que sente os reflexos de vir trabalhando, às vezes, sem atentar para a postura adequada, além de não ter em casa uma mesa aprovada para o seu tamanho (ela mede 1,77 metro) nem a cadeira ideal.

Ela conta que fazia exercícios físicos, mas, ultimamente, está sedentária. Para amenizar dores e incômodos, revela que procura praticar alongamentos que aprendeu nas antigas aulas de Pilates e ficar mais vigilante com a postura.

Atividade física

“Essa questão da ergonomia, em si, é uma preocupação, mas se a pessoa já praticar uma rotina de atividade física, já mantiver hábitos de vida saudáveis, isso sobressai sobre o componente ergonômico”, avalia também o fisioterapeuta Rodrigo Moura. 

“O sedentarismo é um dos fatores de risco para o aparecimento desses desconfortos posturais e musculares. Uma rotina de atividade física equilibrada, sem dúvida, ajuda a evitar”, frisa ele. De forma geral, com a ida para o home office, reflete Moura, houve uma mudança na vida da pessoa e isso acaba impactando na frequência, na regularidade, na continuidade da atividade física.

E os benefícios da atividade física vão além da manutenção ou perda de peso, ressalta Raquel Carvalho. Ela reduz a ansiedade e o estresse, fortalece ossos e músculos, diminui a possibilidade de depressão, reduz o risco de hipertensão, AVC e doenças cardíacas.