Mesmo com a alta de 17% no dólar desde a Páscoa do ano passado incidindo diretamente no preço dos produtos que compõem o cardápio da Semana Santa, restaurantes focados em pescados e frutos do mar aumentam o apetite e projetam elevação de 20% nas vendas no período.Para garantir a melhoria nos negócios, afirmam ter absorvido parte do aumento e apostam em um suspiro de retomada econômica. 

O índice de vendas estimado é maior do que o previsto para o setor de uma forma geral, de 15%, conforme o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Ricardo Rodrigues. 

“Torcemos para que o crescimento se confirme. Os restaurantes especializados têm mais apelo porque muitas pessoas não comem carne em função de tradições religiosas. E mesmo aqueles que não são especializados aumentam os estoques de pescados e se preparam melhor para a data”, justifica Rodrigues.

Com previsão de faturar 20% a mais na Semana Santa, o restaurante português Caravela, localizado no Cidade Jardim, já se prepara para a melhor data do ano, segundo avaliação do proprietário, Cristóvão Laruça. 

Semanalmente, eles comercializam 100 kg de bacalhau. Para a Semana Santa, ele encomendou 200 kg de bacalhau e 100 kg de polvo, iguaria que ganhou o coração dos belo-horizontinos.

“Polvo e bacalhau saem bastante. Apesar de os importados terem sofrido aumento por causado dólar, como compramos muito, cerca de 400 kg por mês, não tivemos reajuste na Páscoa. No início do ano, porém, reajustamos o cardápio para atualizar os preços”, diz o empresário.

No início de 2019, conforme o proprietário do Restaurante do Porto, Leonardo Almeida Duarte, houve alta de 15% no bacalhau morrua e de 10% no tipo saithe. Embora o cardápio tenha sido reajustado no início do ano, o estabelecimento reduziu as margens de lucro e absorveu parte da alta. 
“Reajustamos alguns pratos com bacalhau em 8% e 10%. Não alteramos os valores de pratos feitos com peixe ou outros frutos do mar”, afirma Duarte. Para a Páscoa, ele garante que não haverá novos ajustes. 

“Os negócios já estão melhores do que no ano passado. Neste ano, estamos vendendo cerca de 10% a mais do que em 2018”, diz. Na Semana Santa, ele espera aumentar em 20% as vendas. Quando comparadas aos dias normais, a alta é de 50%. Como reflexo, o empresário projeta receber entre 2.500 e 3.000 pessoas no período nas duas casas do restaurante, localizadas em Lourdes e na Cidade Nova.

“Conseguimos receber 220 pessoas simultaneamente no Cidade Nova e 150 em Lourdes”, explica. No local, os pratos variam de R$ 70 a R$ 150 por pessoa, dependendo da forma como o bacalhau é apresentado. Quando ele é desfiado, o preço é melhor. Se for lombo, é mais caro. O bacalhau grelhado com arroz de Braga é o carro chefe da casa na Semana Santa.

Para o período, o restaurante não trabalha com reservas. O mesmo acontece com outros estabelecimentos do ramo. O motivo é simples: como o público é grande, reservas não cumpridas podem segurar mesas vazias, empacando o faturamento do local. “Em dias festivos trabalhamos por ordem de chegada”, explica.

Frutos do mar são aposta para aumentar o faturamento

Estreante na Páscoa, o Barolio, localizado em Nova Lima, está confiante nas vendas durante a Semana Santa. De acordo com o sócio proprietário do estabelecimento, Mateus Hermeto, a expectativa é a de faturar até 60% do registrado em finais de semana comuns. “Não abrimos na sexta para almoço e vamos abrir na Sexta da Paixão porque acreditamos que as vendas vão compensar”, justifica.

Apesar de o bacalhau ter bastante saída, o destaque na casa vai para os frutos do mar, como polvo, mexilhões e lagosta. O linguine com camarão também tem destaque, conforme o empresário. No Barolio, os pratos custam de R$ 60 a R$ 99 por pessoa.

Com capacidade para 70 pessoas, a previsão é a de que pelo menos 600 clientes passem pelo local entre sexta e domingo. “Acredito que o mix pescatore, que leva lagosta e polvo, e o grelhata mista sejam os mais comercializados”, afirma Hermeto. 

Com capacidade para 120 pessoas, o Alguidares, localizado no Sion, espera 400 clientes apenas na sexta e prevê aumentar em cerca de 50% o faturamento, quando comparado aos dias comuns. Especializado em frutos do mar e comida baiana, a casa comemora a maior movimentação do ano durante a Semana Santa. 

“O Alguidares é muito procurado na Semana Santa. É uma casa tradicional, que está há muito tempo na capital e tem bons preços”, diz o sócio proprietário, Brando Mota. O prato mais caro da casa, que leva diversos frutos do mar, custa R$ 380 e serve quatro pessoas. 

Para garantir o atendimento, ele dobrou o estoque tanto de alimentos quanto de bebidas. “Além da cerveja gelada, a caipsurpresa sai muito”, diz o empresário. O diferencial do drink é que o cliente só conhece o sabor da bebida quando ela chega à mesa.

Menos procuradas durante a Semana Santa, as churrascarias inovam para atrair o público. Com duas unidades em Belo Horizonte, o Baby Beef incluiu os ovos de Páscoa no cardápio de sobremesas. O cliente pode escolher entre dois sabores (brigadeiro goumet, decorado com duas variações de brigadeiro e morango, e Sensação, feito com creme de morango, ganache de chocolate e decoração de morangos). 

As sobremesas pesam 400 gramas e custam R$ 36,90. O cliente pode comê-los no local ou leva-los para casa.