Durante aula inaugural da Faculdade de Direito da UFMG nesta segunda-feira (14), a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou que a democracia está cada vez mais forte.

"Andamos muito para chegar a um tempo em que a pluralidade, que está prescrita na Constituição, seja a tônica da vida de cada um de nós".

A ministra pontuou, no entanto, que o Brasil vive atualmente em estado de guerra. "E não é uma guerra contra o Estado, não é raiva do servidor ou do presidente, mas a raiva é do vizinho porque ele não pensa igual. A intolerância é de uma geração que não quer nada diferente. E não se resolve a vida com raiva, nós do Direito temos o dever de trabalhar pela pacificação - não no sentido abstrato, mas no sentido de viver em paz com o outro porque só assim o outro se sente no estado de Justiça", disse aos estudantes.

Cármen Lúcia, que assumirá a presidência da Suprema Corte em setembro próximo, destacou ainda que a democracia, mais que um regime, "é um modo de vida e uma conquista permanente". Em seguida, ela alertou para o risco de os estudantes, especialmente os de Direito, optarem pelo politicamente correto.

"O politicamente correto é o não pensar. O politicamente correto é uma renúncia à liberdade. Agora, é ainda pior, porque se você não pensa igual você não é tolerável. E isso me parece um pouco como era no Partido Comunista que tinha um slogan assim: 'você pensa que pensa? Pensa não. Quem pensa por você é o Comitê Central'. E eu agora fico achando que estamos assim: 'você pensa que pensa? Pensa não. Quem pensa por você é o comercial'".

Ao fim da palestra, a ministra não quis se posicionar sobre as manifestações do último domingo (13) e também não falou sobre a crise política. "Isso não é meu papel", limitou-se.