Ainda que a disparada do dólar ajude a inflacionar diversos produtos e serviços, para o setor industrial que lida com exportação de commodities, como o café, a subida da moeda estrangeira é uma chance de ganhar mais com o produto nacional vendido lá fora.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Teodomiro Diniz, admite que parte da indústria se beneficia da cotação elevada da moeda norte-americana.

“São poucos, mas alguns setores ganham, é claro, com a exportação de commodities como o café e o minério de ferro. Mas, mesmo assim, o frete acarreta em um custo significativo no processo industrial porque está atrelado ao dólar e é suscetível à precificação internacional. Então, de toda forma, há perdas”, avalia Diniz.

Nessa linha, o economista Felipe Leroy, do Ibmec, adverte que a vantagem para empresários que podem ganhar mais com as exportações deverá afetar o mercado interno brasileiro, gerando uma demanda maior do que a oferta e, consequentemente, inflacionando os preços dos produtos e serviços.

“Para ganhar mais, é claro que parte da indústria faz um movimento de privilegiar as exportações em detrimento do mercado interno. Mas isso pode ter um grave efeito no mercado interno. De um lado, a oferta diminui e, por outro, as empresas nacionais se sentem motivadas a aumentar os preços, diante da alta dos produtos importados”, analisa Leroy. 

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