Familiares e amigos das vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019, cobraram celeridade da Justiça no julgamento dos responsáveis pelo crime que matou 272 pessoas (11 continuam desaparecidas) e devastou uma área equivalente a 300 campos de futebol na cidade da Grande BH. Na terça-feira passada, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou 16 pessoas por homicídio doloso e crime ambiental, entre elas Fábio Schvartsman, ex-presidente da mineradora.

O pedido de justiça dos parentes, a dois dias do aniversário de um ano do tsunami de lama, ocorreu num evento na Assembleia Legislativa, na tarde de ontem, onde foi instalado um monumento em homenagem à memória dos 272 mortos.

s
Agostinho Patrus: “O dia 25 de janeiro está e estará para sempre em nossas memórias como uma das mais tristes e dolorosas páginas na história de Minas”

O presidente do Parlamento, Agostinho Patrus, sugeriu que em todo 25 de janeiro as bandeiras de Minas fiquem na altura de meio mastro, nos órgãos públicos, numa clara demonstração de luto em homenagem às vítimas e familiares.

“O dia 25 de janeiro está e estará sempre em nossas memórias como uma das mais tristes e dolorosas páginas da historia de Minas. A Assembleia, juntamente com as famílias, buscará justiça pelas 272 mortes”, disse o deputado.

A cerimônia levou muita gente às lágrimas, como Amanda Moreira. Ela perdeu o marido na tragédia.

“Sou viúva de Cleidson Moreira, que trabalhou na Vale dos 23 aos 40 anos de idade. A gente não tem mais paz. Perdi muitos amigos”.
Em homenagem à memória de cada uma das vítimas, a Assembleia sugeriu que as obras de infraestrutura que a Vale poderá fazer em benefício do Estado, como indenização pelo rompimento da barragem, recebam os nomes dos mortos pelo tsunami de lama. 

O governo de Minas defende que este aporte por parte da mineradora chegue a R$ 7 bilhões. 

Os estragos e as vidas perdidas em razão do rompimento da barragem resultaram na instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Legislativo do Estado no ano passado.

A CPI da Barragem de Brumadinho ouviu 149 pessoas e realizou 32 reuniões, além de visitas ao município.

O documento responsabilizou a mineradora e pediu o indiciamento de 11 de seus dirigentes e funcionários, além de dois auditores da Tüv Süd, empresa que atestou o laudo de segurança da mina Córrego do Feijão, que se rompeu.

“O rompimento da estrutura foi a causa, documentalmente comprovada, dos eventos (apurados), o que, no entendimento desta Casa, faz inequivocadamente tratar-se de crime. Crime, aliás, sem precedentes. Crime que vitimou 272 pessoas”, diz trecho do relatório da CPI.

A tragédia causada pelo mar de lama resultou ainda em mudança na legislação ambiental do Estado. Em 2019, os deputados aprovaram a Lei 23.921, que criou a Política Estadual de Segurança de Barragens.

Na prática, a norma proíbe o método de construção de barragens de alteamento a montante, como era a estrutura da Vale em Brumadinho, e terminou a migração dos empreendimentos para modelos alternativos, tratados como mais seguros.