A crise que deve se confirmar no ano do mercado editorial brasileiro começa a dar as caras no primeiro Painel das Vendas de Livros do Brasil, apresentado nesta quarta-feira, 1, pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pelo Instituto de Pesquisa Nielsen: no primeiro trimestre de 2015, a venda de livros em livrarias cresceu 1,6% em faturamento e 3% em volume em relação ao mesmo período de 2014. Os números, porém, ficam abaixo da inflação - de acordo com o Sindicato, houve uma queda real em faturamento de cerca de 5%.

Este é o primeiro comparativo divulgado pelo SNEL com base nas pesquisas da Nielsen, que coleta dados direto da "boca do caixa" de livrarias, supermercados e lojas online. O objetivo, segundo o Sindicato, é dar mais transparência à indústria editorial brasileira. O estudo deve ser divulgado mensalmente a partir de agora.

"Diante das informações negativas que pautaram o primeiro trimestre da economia brasileira, o fato de que houve algum crescimento foi uma grata surpresa", afirmou o presidente do SNEL, Marcos da Veiga Pereira, em uma nota divulgada para a imprensa.

O Painel leva em conta o valor desembolsado pelo consumidor na hora da compra e não o preço praticado pelas editoras - o número varia de acordo com descontos e outras vantagens de cada loja; esses dados podem ser fundamentais para a discussão da Lei do Preço Fixo, em trâmite no Senado.

Outro dado que chamou atenção do Sindicato foi que o mercado brasileiro está muito concentrado. Dos 150 mil títulos comercializados, os 500 mais vendidos correspondem a 25% do faturamento total.

O Bookscan é o primeiro serviço de monitoramento de vendas de livros no mundo, presente em dez países.