Avenida Paulista, 2064. Este foi o endereço do primeiro desfile do terceiro dia de São Paulo Fashion Week Outono-Inverno 2014. Em plena rua, Fause Haten trouxe sua nova coleção e apresentou sua proposta de moda que vai além do show de roupas novas e ocupa a cidade das formas mais variadas.

A expectativa em torno do local era grande há algumas semanas. E ao divulgar o endereço apenas uma hora e 15 minutos antes do horário marcado para o desfile, às 10h15, o estilista mobilizou os fashionistas para a esquina da Paulista com a Rua Augusta.

O desfile, uma performance urbana, ou um flash mob fashion, parou por instantes a faixa de pedestres da mais paulista das avenidas para que Fause e suas modelos passassem com looks coloridos, em tons roxo, vermelho, amarelo, branco, com direito a franjas, plumas e perucas para compor o styling. Em clara referência à cultura hindu, os looks traziam estampas das divindades indianas ao mesmo tempo em que as modelos usavam perucas que remetiam ao universo mangá.

Para acompanhar, o estilista convocou os bailarinos da Cia Hiato, que conduziram as modelos do backstage (na Livraria Cultura do Conjunto Nacional) até a calçada oposto (do Center 2). No local, para onde os bailarinos levaram também uma caixa de som, típica dos protestos que tomam conta da Paulista todos os dias (a propósito, um protesto passou por lá durante o desfile-flashmob). Então, começaram uma performances de dança indiana, o cosmic dance, com o coreógrafo Thiago Amaral à frente. Todos de dourado, com turbantes verde e roxo, fizeram um contraponto colorido e lúdico, no melhor estilo color block, ao tom black block que a metrópole tem sido palco.

Em dia de color block, Fause provou que é possível ocupar a cidade com cor e beleza. A performance urbana faz parte de um pensamento mais amplo de moda do estilista, que, após escrever o Manifesto Entrada Franca, decidiu questionar as apresentações sempre fechadas e para poucos das semanas de moda e resolveu abrir para o público em geral não só seu desfile como também toda a preparação da coleção. O estilista, que já havia surpreendido o público da SPFW na última edição da semana com o Mundo Maravilhoso do Dr. F, um desfile que foi um teatro de marionetes no Teatro Faap, desta vez revelou a 'linha de montagem' da moda com A Fábrica do Dr. F. O estilista transformou o Museu de Arte Brasileira da FAAP em uma verdadeira oficina fashion aberta ao público, que pôde ser visitada até terça-feira, 29. Nesta quarta, a fábrica foi para as ruas, e quem estava simplesmente passando pela Paulista pôde parar e acompanhar. A ideia nasceu um pouco antes, com a concepção do desta coleção.

"Quando eu estava criando o espetáculo das bonecas, vi um flashmob (mobilização relâmpago, em lugares públicos) e fiquei com aquilo na cabeça. Até decidir que este desfile seria no meio da rua", contou o estilista. "E pensei que, da mesma forma que quis mostrar estas roupas no meio da cidade, seria legal fazer esta roupa em lugar público", contou Fause. "Tudo isso faz parte da ideia. Causa uma certa estranheza, mas é algo que está muito forte em minha cabeça. E não há como lutar contra. É sensorial e é preciso estar aberto", acrescentou o estilista, que fez da Livraria cultura o backstage de seu desfile. "Há algum tempo me interessava pelo assunto da ocupação da cidade. De destacar as coisas que estão escondidas na cidade mesmo. Minha roupa já tem um distanciamento da realidade de uma maneira geral."