A etapa de ampliação da rodovia MG-050 entre os kms 66 e 70, na altura de Mateus Leme, está gerando preocupação entre empresários do município da região Central de Minas. Uma possível mudança dos locais de acesso à cidade é contestada por comerciantes que alegam que a medida tiraria o fluxo de clientes do local.
 
Um abaixo-assinado reivindicando a permanência das entradas atuais para a cidade já acumula cerca de 18 mil assinaturas, e tem o apoio de moradores e diversos lojistas instalados às margens da rodovia.
 
A principal reivindicação diz respeito à rotatória localizada no km 69, que conecta a MG-050 à avenida Getúlio Vargas. De acordo com Sebastião Leite, proprietário da lanchonete Formiga Doceira, o fechamento do acesso seria prejudicial para quem depende do movimento para sobrevivência.
 
“Do jeito que o projeto está programado, serão três quilômetros sem saída da via central para as marginais. O retorno só poderá ser feito a mais de 1,5 quilômetro de distância. No trecho da estrada em Divinópolis, por exemplo, isso não acontece”, comenta Sebastião Leite.
 
O proprietário do posto de combustíveis Ale, localizado também às margens da MG-050 em Mateus Leme, Franklin Otoni, explica que não há informações precisas sobre a execução das obras na rodovia. Ele afirma que um túnel será construído para interligar os dois lados da cidade, atravessando a via.
 
“Não acredito que o projeto desconsidere a movimentação de todas as empresas da região, já que o fluxo local é muito grande. Se os acessos forem mesmo fechados será péssimo para nós. Espero que isso nunca aconteça”, diz.
 
Polêmicas envolvem as obras desde a elaboração do projeto
 
As polêmicas envolvendo as obras de melhoria nos trechos da MG-050 em Mateus Leme não são novidade. Há cerca de cinco anos, audiências públicas realizadas pela prefeitura questionavam o fato de o projeto ter sido elaborado sem consulta prévia ao município.
 
A movimentação dos agentes públicos permitiu alterações no projeto inicial, com a mudança de pontos de construção de algumas trincheiras. No entanto, não houve definição sobre o fechamento dos antigos acessos à cidade.
 
“Não conseguimos atender a todos. A justificativa técnica da Setop (Secretaria de Transportes e Obras Públicas) é que, por se tratar de uma via de alta velocidade, a MG-050 atende a exigências específicas. As saídas reivindicadas pelos comerciantes implicam na existência uma terceira faixa. Porém, não há espaço para isso nesses pontos”, argumenta o Chefe de Gabinete da Prefeitura de Mateus Leme, Roberto Rodrigues de Oliveira.
 
A concessionária Nascentes das Gerais, responsável pela gestão da rodovia desde de 2007, quando foi assinado o contrato de Parceria Público-Privada (PPP) do Sistema MG-050-BR-265/BR-491, afirmou por meio da assessoria de imprensa que “as condições de acesso e retorno serão adequadas à demanda do fluxo de tráfego”. E que até o momento “não possui registro de questionamento sobre nenhum ponto específico das obras de duplicação”.
 
Procurada pelo Hoje em Dia, a Setop informou apenas que “estará avaliando e analisando, nos próximos 90 dias, as questões relacionadas ao contrato de concessão da Parceria Público Privada da MG-050. No momento, a operação e manutenção da via, bem como as obras previstas no cronograma continuam em andamento”.
 
Investimentos
 
Entre 2015 e 2016, investimentos na ordem de R$ 500 milhões devem ser aplicados na MG-050 com mais 23 quilômetros de duplicação em perímetros urbanos, onde o tráfego é mais intenso; 50 quilômetros de terceiras faixas; 30 quilômetros de correção de curva; 24 quilômetros de acostamento e 17 retornos. Os investimentos no trecho de Mateus Leme giram em torno de R$ 34,5 milhões e englobam a duplicação no trecho do distrito de Azurita, entre os kms 69,1 e 75,6. Até dezembro de 2014, R$ 600 milhões foram investidos nos 371,4 quilômetros da rodovia.