Quarenta e cinco dias depois da terceira etapa, a Polícia Federal desencadeou nessa quarta (16) em Brasília e São Paulo a quarta fase da operação Acrônimo, que tem como investigados o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), a mulher dele, Carolina Pimentel, e alguns dos aliados mais próximos do petista.

O alvo dessa nova ação é o empresário do segmento de saúde, Elon Gomes, acionista e presidente da Aliança Administradora de Benefícios de Saúde.

Gomes é suspeito de ter repassado dinheiro para empresas supostamente de fachada pertencentes ao empresário Benedito de Oliveira Neto, o Bené.

Muito próximo ao governador mineiro, para quem já emprestou avião e pagou hospedagem em um hotel de luxo na Bahia, Bené é apontado como operador financeiro de esquema de lavagem de dinheiro e caixa 2 eleitoral a partir de contratos supostamente faturados com o governo federal.

Num período de dez anos, as empresas ligadas a Bené amealharam R$ 500 milhões em contratos com a União.

Pente-fino

Segundo o advogado Eduardo Toledo, as buscas foram feitas na residência do empresário Elon Gomes em Brasília, onde a PF recolheu extratos bancários, computador e telefone celular.

O criminalista afirmou ainda que não conhece os termos do mandado de busca e apreensão na casa de seu cliente porque o Superior Tribunal de Justiça (STJ) colocou sigilo por 24 horas.

Elon Gomes já foi alvo da Acrônimo em outra etapa. Na ocasião ele foi afastado do conselho de administração da Aliança, porém continua na presidência. Ele é suspeito de ter repassado dinheiro, por meio da empresa Support Consultoria, para Bené, suposto operador do governador Fernando Pimentel durante a campanha para o governo de Minas Gerais em 2014.

Os recursos repassados pela Support Consultoria, no total de R$ 750 mil, foram pagos às consultorias Brigde e BRO. Essas empresas, conforme a PF, são de fachada. Elas também teriam sido usadas, segundo o inquérito da Acrônimo, para a venda de portarias que favoreciam montadoras de veículos no Ministério do Desenvolvimento.

Terceira fase

Em outubro, a PF deflagrou a terceira etapa da Acrônimo em Belo Horizonte, Brasília, São Paulo e Goiás. Na capital mineira, o alvo foi o ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Mauro Borges, atual presidente da Cemig, conforme o Hoje em Dia adiantou.

Durante cerca de duas horas, os investigadores realizaram buscas no apartamento de Borges, no Bairro Belvedere, Zona Sul de BH. Foram apreendidos computadores, tablets e celulares. Ele foi levado para depor na superintendência da PF, onde ficou em silêncio.

Borges é suspeito de ter usado o cargo de ministro em prol de interesses de Bené. Ele sucedeu Pimentel, após o petista ter saído do cargo para concorrer ao governo de Minas. O advogado de Borges não comenta o caso alegando segredo de Justiça.

*Com agências