Abastecer com álcool ou gasolina é uma escolha trivial na vida de grande parte dos motoristas. Há quem prefira o combustível fóssil por proporcionar melhor autonomia. Assim como há quem não abra mão do derivado da cana-de-açúcar devido ao preço mais em conta. Ou até quem pondere pelo etanol pelo fator ecológico. 

Fato é que esse poder de decisão faz parte de um projeto iniciado há 40 anos, quando o álcool se tornou uma alternativa do governo brasileiro à crise do petróleo que tinha encarecido a cotação do barril. Também resolvia a incapacidade de atender a demanda interna por gasolina.

O Fiat 147 foi o primeiro automóvel de produção em série no mundo a receber motor movido ao derivado de cana. A primeira unidade saiu da linha de montagem em 5 de julho de 1979. Para o engenheiro e diretor da FCA, João Irineu, o 147 foi o ponto de partida de um processo de desenvolvimento que ainda não está concluído. 

“Desenvolvemos o motor a álcool para solucionar o problema da crise do petróleo. Depois veio a valorização do açúcar, que impactou na produção de álcool e resultou nos automóveis flex. Ou seja, para cada problema de abastecimento a engenharia brasileira encontrou um caminho”, explica o executivo.

Para ele, o etanol ainda pode evoluir mais, assim como a aplicação dele na mobilidade. “Ainda temos que melhorar a qualidade do álcool, reduzindo a quantidade de água, assim como a inclusão de turbocompressor e injeção direta de combustível. Em seguida, combinar o etanol com motores elétricos. É algo que vai acontecer e não há como fugir disso. Mas, por hora, podemos reduzir emissões com o álcool e depois que a tecnologia dos elétricos estiver consolidada a gente emprega. É uma condição que mercados como o europeu não têm”, afirma.

Atualmente 34% da frota brasileira de automóveis é abastecida com etanol. Algo em torno de 22,5 milhões de carros. E tudo começou com o 147 preto com faixa branca. O carrinho que saiu da linha de montagem naquele 5 de julho pertence ao Ministério da Fazenda. 

Hoje o carro está aos cuidados da Fiat, que tem dado a devida manutenção, mas o manteve original, com as marcas de quem rodou 80 mil quilômetros.