Já cansamos de falar que o mercado de compactos deixou de ser atraente para a indústria, devido às margens baixas e falta de poder de compra do consumidor que flerta nesses segmentos na base da pirâmide do automóvel. O SUV compacto se tornou a bola da vez, pois aproveita a maioria dos componentes de um hatch, com o valor agregado de ser um utilitário-esportivo, graças aos gatilhos mentais que nos fazem enxergar um Grand Cherokee num Kwid.

Assim, SUV e hatch não podem andar de mãos dadas. E a Fiat anda nervosa com as suposições de que o SUV Projetto 363 seria um aventureiro derivado do Argo. A marca italiana chamou a imprensa especializada para explicar que não se trata do mesmo carro, mesmo que a semelhança entre o SUV e o hatch seja quase siamesa. 

Explicação

A montadora convocou o diretor de Desenvolvimento de Produtos Marcio Tonani e demais engenheiros do projeto para explicar as diferenças técnicas que fariam um carro ser bastante distinto do outro. 

O Argo é montado sobre a plataforma MP1, enquanto o 363 é feito sobre a chamada MLA. Segundo o executivo, a MLA conta com especificações distintas de suspensão, dirigibilidade e segurança. Ou seja, características que fazem dela nova diante da MP1.

“Não basta apenas elevar a suspensão e pronto. Para desenvolver um SUV é preciso ter uma plataforma própria para assegurar parâmetros de comportamento para esse tipo de veículo”, explica.

Mas a cizânia se dá pelo fato de os carros serem muito semelhantes: a diferença de entre-eixos é de apenas 1 cm. O SUV terá 2,53 m, enquanto o hatch tem 2,52 m. Ou seja, pode ser um abismo aos olhos da engenharia, mas para os olhos humanos é praticamente imperceptível. 

De acordo com o executivo, a nova plataforma será utilizada em outros produtos futuros, inclusive capaz de receber conjuntos eletrificados, e pode ser ajustada para receber suspensão multilink na traseira e demais ajustes, dependendo da especificação do modelo, ao contrário do eixo de torção do 363 e também do Argo.

Reações

A preocupação da Fiat em deixar claro que Argo é um carro e 363 é outro tem suas razões. Modelos aventureiros derivados de compactos (mesmo que apenas visualmente) sempre são criticados, independentemente de suas virtudes. Foi assim com o Honda WR-V, que tem o Fit como modelo base. 

Em 2017, a Honda levou jornalistas para dentro de sua fábrica em Sumaré (SP) para mostrar as diferenças entre um carro e outro. Os engenheiros gastaram saliva para explicar que cada modelo tinha uma suspensão própria, com ajustes exclusivos para garantir o melhor comportamento. 

No anos passado, a Volkswagen também se dedicou a explicar como o Nivus foi desenvolvido sobre a plataforma MQB (compartilhada com Polo, Virtus e T-Cross) e quais foram componentes e peças projetadas para o charmoso aventureiro alemão.

Agora, a Fiat busca ratificar que seu aventureiro não é de forma nenhuma um Argo com esteroides, pois esse tipo de comparação pode afetar a decisão de escolha do consumidor, que pode não enxergar vantagem em pagar mais caro por um carro que, em tese, é igual ao mais barato.

Mas fato é que para o 363 decolar no mercado, o consumidor não quer saber se o assoalho é MP1, MLA ou qualquer outra sigla. Para o SUV decolar é preciso conteúdo e preço. É isso que importa para quem vai tirar dinheiro do bolso. Pois assoalho só derruba compra se tiver um buraco de ferrugem.

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