A Fiat sentiu e ainda sente o baque da perda de liderança a partir de 2015. Despencar para a terceira posição da tabela foi dolorido. E depois de um tombo, nada como levantar e sacudir a poeira para dar a volta por cima, como já ensinou Beth Carvalho. E foi aí que a fabricante vislumbrou um novo cenário em seu negócio. Uma repaginação completa, que inclui desde a mudança do logotipo a uma forma de contato com o cliente, que seja mais próximo e passional. Em suma, que tenha aquele calor italiano, como um almoço de domingo na casa da nonna. 

E desde o lançamento da Strada, no fim de junho, a Fiat deu início à estratégia com seu novo logotipo, que remove o escudo e deixa apenas a tipologia. Junto dele a antiga logo em filetes (Fiat Flag), modernizada com cores da bandeira italiana. Eles querem recuperar sua italianidade, que se perdeu nos últimos anos.

“Quando falamos em italianidade, está muito ligada ao design, assim como uma leitura atrelada à esportividade, em virtude dos ícones que a Itália carrega como Ferrari, Alfa Romeo e Lamborghini. Também há uma conexão muito forte com moda e o que é moderno. Estes valores estavam adormecidos e nosso próprio Fiat Flag deixa muito claro. Afinal, a gente é italiano desde o nosso nome (Fabbrica Italiana Automobili Torino)”, aponta o diretor de Brand Fiat, Herlander Zola.

Ou seja, a Fiat quer utilizar um elemento que só ela tem, que é sua origem para buscar se diferenciar no mercado. Para isso, sua rede de concessionárias adotará um novo padrão de atendimento. As lojas deixarão de ser um salão amontoados de carros e contarão com cafés, espaços de co-working e serviços digitalizados. 

“Queremos trazer interação com a marca. Hoje a revenda é um local para a compra e manutenção. Isso precisa mudar. Quando oferecemos um espaço com Wi-Fi em que qualquer um pode fazer uma reunião ou ir lá para tomar um café, estabelecemos uma conexão que deixe claro nossos valores. E o ponto de venda é onde deixaremos isso claro”, explica Zola.

Produtos

Mas não basta um café quentinho e uma cadeira confortável para virar o jogo. A marca se prepara para lançar dois utilitários-esportivos, que o próprio executivo pontua que se trata do único segmento no mundo que apresenta crescimento. O primeiro, o SUV do Argo, chegará em 2021. E mesmo com os atrasos provocados pela pandemia, o executivo garante que o carro não ficará para o próximo ano. O segundo é um SUV maior, com estilo cupê, que aproveita a base da dupla Argo e Cronos, mas com estilo inspirado no conceito Fastback.

“Estamos trabalhando arduamente para trazer esses carros o quanto antes. Não podemos negar que o período de paralisação, não só no Brasil, mas em todas as fábricas da FCA no mundo causou reflexos no desenvolvimento. Muita coisa não pode ser feita em home office e estamos trabalhando de maneira muito intensa para tentar compensar esses efeitos. Mas posso garantir que o primeiro SUV chega no ano que vem, sem data precisa, e o segundo estamos querendo antecipar ao máximo”, afirma o executivo.

Junto dos utilitários, Zola ainda tem na manga dois motores turbo (1.0 e 1.3), além de uma nova transmissão, que segundo ele contribuíram para a fidelidade do cliente e uma retomada forte da marca. 

“O objetivo central não é recuperar a liderança de mercado, mas valorizar a marca e expandir a fidelidade dos clientes. Mas a partir do momento dos dois SUV, motores turbo e a transmissão CVT, posso garantir que estaremos preparados para lutar pela liderança de mercado” conclui.