O presidente da FCA do Brasil, Antonio Filosa, concedeu coletiva de imprensa para dar um panorama das atividades do grupo em 2019 e antecipar projetos. O executivo falou sobre a nova Strada, modelos híbridos, fusão com a PSA e também sobre a debandada de marcas do Salão do Automóvel de São Paulo.

Segundo o italiano, o grupo teve rentabilidade de 500 milhões de euros no ano passado e aumentou sua participação em 1,1% no mercado. A soma dos emplacamentos de Fiat e Jeep fazem da FCA líder de mercado com 18,64%. O italiano também frisou que Betim será destaque nas operações do grupo no Brasil. Além da produção da nova linha de motores, que fabricará as versões turbo dos motores 1.0 e 1.3 Firefly, que serão adotados nas gamas Fiat e Jeep, a fábrica ganhou concorrência de exportação e deverá enviar 260 mil motores para a Europa.

Além disso, Betim também será responsável pela nova Strada, que chega no segundo trimestre. Conforme o executivo, o utilitário foi totalmente desenvolvido pelo time brasileiro, mas com supervisão de Turim. "O Strada é a irmã mais nova da Toro, modelo que ganhou diversos prêmios de design. É mais que natural que a gente tenha se inspirado nela. Trata-se de um veículo que iremos atrair um novo perfil de consumidores", explicou.

Fiat Strada

Nova Strada chegará no segundo trimestre e conviverá com a atual geração

Ainda de acordo com Filosa, a nova Strada conviverá com a atual geração, mão se sabe se será por muito tempo. “Para 2020 manteremos o modelo atual em linha", observa, o presidente, que também pondera sobre o futuro do Uno. Para ele, a manutenção ou atualização do modelo dependerá do interesse de mercado. “Manter o carro em produção exige dinheiro. Se tiver demanda vamos investir nele”.

Toro turbo

Voltando aos motores, o executivo disse que a primeira unidade turbo estreará num novo produto. Ainda não será o SUV Fiat ou Jeep de sete lugares, que deverão chegar no ano que vem. A aposta fica por conta da Toro. O utilitário passará por atualização e é apontado como o estreante do bloco 1.3 de aproximadamente 170 cv.

Fusão e híbridos

Na coletiva, Antonio Filosa falou sobre a fusão da FCA com PSA. Para 2020, cada um dos grupos seguirá seus caminhos e estratégias. A conclusão do processo deverá ocorrer no ano que vem. Mesmo assim, ele garante que a fusão não altera os planos de investimentos de R$ 14 bilhões, que seguirão até 2023, que prevê novos modelos.

Para este ano, a FCA ainda lançará a versão elétrica do Cinquecento, o 500e, assim como a picape RAM 1500, além das versões híbridas de Compass e Renegade. Todos importados.

E por falar em híbridos Filosa explica que as plataformas atuais utilizadas no Brasil não contemplam híbridos com berço para baterias. Mas as plantas passarão por adequações para receber plataformas capazes de comportar conjuntos híbridos (combustão e elétrico) e 
baterias. 

E mesmo se as plataformas estivessem disponíveis, o preço das baterias ainda são um entrave. “O pack de baterias é importado e com custo elevado. São 14 mil euros, lá fora. Ainda elevam muito o custo do automóvel. A Renault vende o Zoe por R$ 150 mil. Um carro do tamanho do Mobi, que parte de menos de R$ 40 mil”, compara.

Mas por hora, seria possível adotar sistema de híbridos leves, que utilizam módulos 48 volts. Esse tipo de solução já é adotado em diversos modelos lá fora. Ele conta com uma pequena unidade elétrica para auxiliar no funcionamento de agregados e também fornecesse torque em situações de demanda, que geralmente consomem mais combustível. 

Salão do Automóvel

 

Salão do Automóvel

Fiat Fastback foi a grande atração da Fiat no Salão do Automóvel de 2018

Filosa também falou sobre a debandada de marcas do Salão do Automóvel de São Paulo. Questionado se os custos elevados dos estandes poderiam ser os motivos para a evasão, o executivo acredita que não. “Não vejo o custo como problema, e sim o formato”.

Segundo ele, é preciso proporcionar uma experiência mais interessante para o público. “Um evento de 15 dias concentrado numa única cidade, apenas expondo deixou de ser atrativo. Acredito que os organizadores precisam encontrar soluções que proporcionem uma melhor experiência para os visitantes”, comenta o executivo, dando a CES como exemplo.

Para o presidente da FCA, a mostra de tecnologia de Las Vegas se tornou um dos principais palcos da indústria de automóveis. “Eles oferecem uma experiência de experimentação que vai muito além da exibição de produtos”. 

A mostra paulistana vive um dilema. Marcas como Peugeot, Citroën, JAC, Land Rover, Jaguar, Chevrolet, BMW, Mini, Toyota, Lexus, Mitsubishi, Suzuki e Hyundai (HMB) já anunciaram que não irão participar. Questionado se a FCA irá ou não ao salão, o executivo disse que nenhuma decisão foi tomada ainda. “Estamos discutindo com a Anfavea”, afirma.