A Amazônia não é um ecossistema onde incêndios naturais são comuns e a maior parte das queimadas é por ação humana. Essa é a análise do biólogo e colunista do jornal O Estado de S. Paulo Fernando Reinach, em entrevista à TV Estadão, sobre o fogo na floresta.

"Há ecossistemas, como o Cerrado, onde a queimada é uma constante. É um lugar muito seco, pega fogo e as plantas lá já são acostumadas a queimar e brotar de novo", explicou. Na Amazônia, ponderou, a situação é diferente. "Não é um ecossistema onde a queimada faz parte da vida, da história natural. Grande parte das queimadas que acontecem é de pessoas que derrubam o mato, tiram a madeira nobre e depois põem fogo no local. Uma grande parte dessas queimadas, quando se vê as fotos, é de lugares já cortados", disse.

Reinach disse haver incentivo indireto do governo a essa situação por meio do discurso, que há algum tempo prevê menos rigor na fiscalização de crimes ambientais. "Não é que o governo deu uma ordem: pessoal, vamos lá queimar a Amazônia. Mas se você relaxa, fala que não vai pegar muito
pesado…"

Por fim, destacou que a alta nas ocorrências não pode ser vista como um aumento pequeno. A luta, diz o biólogo, é para manter o compromisso com o esforço de controle.

Ao vivo

Fernando Reinach, que escreve aos sábados na edição impressa do Estado, participou nesta quarta-feira, 4, da primeira edição do espaço "O Leitor Entrevista", conversa com transmissão ao vivo pelo Facebook, onde respondeu a perguntas do público. (estadao.com.br/e/leitorentrevista)

Nesta quinta-feira, 5, a convidada será a psicóloga Rosely Sayão, que vai responder a perguntas de leitores a partir das 16 horas. Para participar, envie sua pergunta na caixa de comentários. Rosely estreia coluna no Estado no próximo Domingo. 


Leia mais:
Onyx vai propor prorrogação da GLO Ambiental na Amazônia
Ambiente recebe 0,001% de verba das emendas para a Amazônia
'Crime organizado é responsável pelo desmatamento da Amazônia', afirma Raquel