Por mais que se trate de um desenho industrial, para fins comerciais, em que é preciso raciocinar de forma lógica para obter o menor custo e a maior rentabilidade, não há como negar que o design italiano derrama passionalidade sobre a prancheta. E quem gosta de carros não deve deixar de conferir a exposição “Beleza em Movimento” na Casa Fiat de Cultura. A mostra conta com diversos modelos criados por designers italianos, assim como modelos em escala, carros em argila e conteúdos audiovisuais. 

Espalhada em três andares, a exposição distribui as máquinas de acordo com os estúdios. Entre eles estão Bertone, Pininfarina e Carrozzeria Touring. Junto dos carros há painéis que contam a evolução do design do automóvel nos últimos 110 anos, desde o Ford T até os carros atuais.

Cada carro tem uma história, que vai além do projeto de mercado, que deixa transparecer a dramaticidade de cada criação. Para compreender melhor, vamos por ordem alfabética.

Alfa Romeu Giulia Spider

Alfa Romeo Giulia Spider


Essa Alfa (ao lado) de motor compacto foi responsável pelo legado de conversíveis da marca milanesa, que evoluiu para os modelos Spider e atualmente é representado pelo roadster 4C Spider. As linhas foram desenhadas pela Pininfarina.

Alfa Romeu Giulia SS

Alfa Romeo SS

Com elementos que remetem ao conceito Berlina Aerodinamic Tecnica, o Giulia Sprint Speciale teve as linhas assinadas por Franco Scaglione, do estúdio Bertone. Produzido entre 1959 e 1966, o cupê se tornou uma referência em esportivos compactos. Com apenas 800 quilos, os motores 1.3 e 1.6 eram mais que suficientes para fazer valer o lema do “Cuore Sportivo”.

Alfa Romeo Montreal

Alfa Romeo Montreal


Desenhado por Marcello Gandini, da Bertone, que tinha acabado de se consagrar com o Lamborghini Miura, o Montreal foi projetado para ser um carro-conceito do salão do automóvel da cidade canadense de 1967. A repercussão foi positiva e a diretoria da Alfa decidiu produzi-lo. Sob o capô ele era equipado com um motor V8 2.3 e injeção mecânica de 230 cv, que era uma versão amansada do motor do Alfa P33 de corridas. Ele ficou em linha entre 1970 e 1976.

Dino (Ferrari) 246 GTS

Dino Ferrari 246 GTS

Para concorrer com a Porsche, a Ferrari viu que era preciso descer do salto e produzir um carro mais comedido, que não levasse o Cavallino Rampante. Daí surgiu a Dino, que seria a marca “popular” da Ferrari. Com design Pininfarina, a Dino 246 era equipada com motor V6 2.4 de 190 cv. O esportivo, que trazia o nome do filho do comendador Enzo Ferrari, foi produzido entre 1969 e 1974. A versão GTS teve cerca de 1,2 mil unidades fabricadas.

Ferrari Testarossa

Ferrari Testarossa

Lançada em 1984, a Testarossa resgatava o nome do lendário carro de corridas da década de 1950. O modelo foi a síntese da extravagância dos anos 80. Com carroceria larga, os elementos mais marcantes são filetes na tomada de ar. 

A Testarossa era equipada com uma unidade V12 180º (com cilindros opostos como nos 911 e Fusca) de 4.9 e 396 cv, que faz dele um carro de alto desempenho capaz de acelerar a até 290 km/h. Espalhafatoso, o modelo ficou em linha até 1996, quando foi substituído pelo 550 Maranello.

Lamborghini 350 GT

Lamborghini 350 GT

Carros italianos são dramáticos como todo italiano é. O 350 GT foi a resposta de Ferrucio Lamborghini a Enzo Ferrari. Reza a lenda que o bem-sucedido fabricante de tratores fora destratado pelo comendador, quando foi até Maranello reclamar dos problemas na Ferrari que tinha. Ferruccio saiu gesticulando e cuspindo marimbondos (como todo bom italiano) e resolveu construir o próprio esportivo. O desenho ficou a cargo da Carrozzeria Touring, que já tinha elaborado projetos para a Alfa Romeu e Aston Martin.

Lamborghini Miura S

Lamborghini Miura

Se o 350 GT foi o carro que colocou a Lamborghini no mercado de esportivos, foi o Miura que revelou a marca para o mundo. Com desenho de Marcello Gandini (Bertone), o “touro espanhol” é equipado com motor V12 transversal e com a transmissão fundida ao bloco. Tudo para garantir que toda massa ficasse entre os eixos. O motor 3.9 rendia 350 cv. Em linha de 1966 a 1973, o Miura teve menos de 800 unidades fabricadas.

Maserati Ghibli

Maserati Ghibli

Giorgetto Giugiaro desenhou o Ghibli no breve período em que trabalhou para o estúdio Ghia. O Ghibli é um cupê de dois lugares que se destaca pelo design marcante em que se evidenciam o longo capô e pelo balanço acentuado da traseira. 

Produzido entre 1967 e 1973, o esportivo foi equipado com uma unidade V8 4.7 de 310 cv. A versão SS teve o propulsor ampliado para 4.9 litros, o que elevou a potência para 335 cv.

Máquina do tempo

DeLorean

Aficionados por automóveis certamente terão dificuldade para afirmar quais dos carros em na exposição da Casa Fiat de Cultura é o mais emblemático na história do automóvel. Uns dirão que é o Miura por seu conceito de engenharia inovador. Outros, que é o Dino 246 GTS, assim como há quem garanta que a Testarossa seja o grande representante da mostra. Mas não há como negar a popularidade do DeLorean DMC 12.

O DeLorean foi um carro de história conturbada e que ficou em linha por apenas dois anos (entre 1981 e 1983) com apenas 8.500 unidades construídas. Futurista, ele se destaca pelas portas do tipo asa de gaivota e pela carroceria em alumínio escovado, sem pintura e verniz. 

Apesar do visual exótico, seu motor V6 2.8, da Renault, entregava parcos 132 cv e 20 mkgf de torque, que não faziam dele nenhum exemplo de desempenho. Pelo contrário, era lento. Mas não fora o desempenho que o tornou famoso. 

Sua estrela brilhou no cinema, na trilogia “De Volta para o Futuro”. Nenhum carro conseguiu se encaixar tão perfeitamente num “papel” como a máquina do tempo criada por Doc. Brown, que defendia a escolha devido ao seu estilo arrebatador. Mas se ele tivesse se atido aos números de desempenho, certamente saberia porque seu carro demorava tanto para atingir as tão famosas 88 milhas por hora.