Quase um milhão de veículos foram acrescentados à frota de Belo Horizonte na última década. De 2010 a 2019, a quantidade de carros, caminhões, ônibus e motocicletas nas ruas da capital cresceu 70%, passando de 1,3 milhão para 2,2 milhões, conforme dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). 

Os impactos são sentidos na qualidade de vida de quem precisa enfrentar os deslocamentos diários pela cidade. Mais automóveis nas vias significam mais congestionamentos e muito tempo perdido no trajeto. 

Levantamento da plataforma TomTom Traffic, que coleta informações sobre o trânsito em todo o mundo, indica que, no ano passado, o belo-horizontino gastou, em média, seis dias e dez horas em engarrafamentos. A metrópole ocupa a 60ª posição no ranking feito pela empresa.

Os dados preocupam. “Não quer dizer que todos os carros existentes na cidade estejam nas ruas ao mesmo tempo, mas há, sim, aumento de veículos e de viagens motorizadas por aqui. É preciso buscar soluções, e o transporte público é a mais viável e sustentável”, analisa o professor Renato Guimarães Ribeiro, do Departamento de Engenharia de Transporte do Cefet-MG.

A alternativa, porém, esbarra em gargalos. Como o Hoje em Dia mostrou na edição de 2 de março, os usuários de ônibus na capital deixaram de fazer 20 milhões de viagens nesse transporte coletivo em BH apenas de 2018 para 2019.

Defasagem

A qualidade do serviço prestado e o valor das passagens são desafios a serem vencidos. Em 2010, por exemplo, a tarifa principal dos coletivos era de R$ 2,30. Dez anos depois, chegou a R$ 4,50 – aumento de 95%. Hoje, é a segunda mais cara do país, mesmo que o reajuste tenha sido congelado.

Embora usuários reclamem do preço alto, especialistas afirmam que ainda há defasagem. Consultor em transporte e trânsito, Márcio Aguiar destaca que cai o número de pessoas que usam o transporte coletivo, mas a tendência é não reduzir os custos para o operador.

“Pelo contrário. A manutenção permanece cara. Há risco de acontecer o mesmo com a concessão das rodovias. Quando se perde o equilíbrio econômico-financeiro, o concessionário acaba devolvendo a gestão do serviço”, explica.

Em relação aos veículos 0km emplacados em BH, o aumento chegou a 141% na última década. No entanto, especialistas afirmam que nem todos estão em circulação na capital, e muitos podem ter sido levados para outras cidades do Estado e do país

Futuro

A tendência é a continuidade do aumento da frota. Para enfrentar os desafios, dentre as alternativas estudadas, a prefeitura também aposta no Plano Diretor, que entrou em vigor no último mês.

O documento abre espaço para oportunidade de trabalho perto de casa, diminuindo o deslocamento das pessoas, frisa Elizabeth Gomes, diretora de Planejamento e Informação da BHTrans. 

Nesses casos há, inclusive, o barateamento do custo da tarifa. “A passagem de uma linha alimentadora (que vai dos bairros às estações do Move e BHBus) é bem mais em conta que a da troncal, que segue até a área central”, explica.

“O transporte coletivo casado com o uso do solo e planejamento da cidade é muito importante”, conclui Elizabeth Gomes.
 

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