O motor a combustão é um invento do século 19 que revolucionou a humanidade. No entanto, é preciso reconhecer que essa máquina está longe de ser eficiente. Afinal, 70% da energia gerada com a queima da mistura ar-combustível em suas câmaras se perde com o calor gerado. Como diz o outro: se o motor a combustão fosse um aquecedor, seria perfeito. Mas fabricantes têm feito de tudo para aumentar sua eficiência, combinando com unidades elétricas e maneiras de reaproveitar a energia desperdiçada.

Uma dessas tecnologias é o sistema de regeneração de carga de baterias por meio de geradores instalados no escapamento. A Porsche utilizou esse sistema para produzir eletricidade para o protótipo 919 Hybrid, bicampeão das 24 Horas de Le Mans. 

Agora, a Infiniti, marca de luxo da Nissan, desenvolveu uma versão (ainda mais apimentada) do cupê Q60 Red Sport 400 que utiliza tecnologia semelhante, retirada dos motores que a Renault (que forma o mesmo grupo junto com Nissan e Mitsubishi) fornece para a Fórmula 1.

Super dínamo

O princípio é bem parecido com o do turbocompressor de um motor convencional (em que os gases do escapamento giram um rotor conectado à turbina e essa aumenta o volume de ar para dentro das câmaras de combustão). O que o novo sistema faz é aproveitar os mesmos gases do escapamento para girar uma turbina que produz energia elétrica, como uma usina hidrelétrica (que por sua vez usa água das represas). Numa analogia simples, é como aqueles antigos dínamos montados em rodas de bicicletas para alimentar a lanterninha do guidão.

O Project Black conta com dois geradores montados junto aos turbos e ainda recorre ao conhecido sistema de regeneração de energia cinética, que aproveita a fricção das pastilhas de freio com os discos para também produzir eletricidade.

Segundo a Infiniti, a combinação do motor V6 biturbo 3.0 e do módulo elétrico gera potência de 571 cv. A marca não especificou o torque combinado, mas garante aceleração de 0 a 100 km/h em 4 segundos.

Perfumaria

Para valorizar a versão, a marca japonesa instalou um novo pacote aerodinâmico com direito a novas saias, asas frontais e um aerofólio inspirado nos bólidos da Fórmula 1. No capô, foram abertas duas saídas de ar para auxiliar na refrigeração do bloco.

Apesar de engenhosa, essa tecnologia ainda é cara, e o Project S é um protótipo. Mas é uma mostra de que ainda há bastante o que aperfeiçoar nos motores a combustão interna, antes que os elétricos joguem sobre eles uma pá de cal em definitivo.