Mesmo em plena crise financeira, é crescente a quantidade de pessoas que compram por impulso em Belo Horizonte. Segundo levantamento da Fecomércio MG, feito em dezembro do ano passado, 37,4% dos consumidores que moram na capital adquirem produtos ou serviços que não precisam. O patamar é superior aos 34% registrados no mesmo mês de 2017 e aos 31,1% apurados em 2016. 

Conforme especialistas, a falta de planejamento é o principal responsável pelo mau hábito. A tentação aumenta nesta época do ano, marcada por megaliquida-ções, e pode levar o gastador à bancarrota.

E o número de pessoas que recorrem a empréstimos, seja com instituições bancárias ou com familiares para equilibrar as contas, também chama a atenção: 24,4%, a mesma quantidade de consumidores que abrem mão dos supérfluos, o que deveria ser regra. 

“As pessoas compram sem saber se precisam ou se têm dinheiro. Depois, não têm como pagar. E isso é um problema sério”, diz o coordenador de economia da Fecomércio MG, Guilherme Almeida. 

A fala do especialista é endossada pelos números levantados pelo estudo. Desde 2017, a quantidade de pessoas que sempre recorre a algum tipo de financiamento saltou de 2,8% para 4,5%. O índice dos que conseguem pagar as compras, mas não têm reserva no fim do mês, também aumentou, passando de 7% para 8,3%. Os que não recorrem a financiamentos, mas assumem que devem muito eram 5% e hoje representam 6%, na mesma base de comparação.

Entre os endividados, o cartão de crédito é o principal vilão e representa 28,8% dos compromissos financeiros dos belo-horizontinos. 

“O cartão é um ótimo instrumento, mas é necessário que a pessoa saiba usá-lo. Ela deve se conscientizar que a conta tem que ser paga no fim do mês”, afirma Almeida. Em seguida, vêm os empréstimos em financeiras, com 4,9%, os financiamentos habitacionais, com 4,2%, a parcela do carro, com 3,8%, e os empréstimos em bancos, com 2,4%. 

A solução para manter o orçamento longe do vermelho é fugir de tentações e planejar. Para isso, o consumidor deve colocar os gastos na ponta do lápis. “Tudo o que a pessoa consome deve ser anotado, seja no papel, planilha no computador ou até mesmo em aplicativos”, diz. Assim, o consumidor consegue ver para onde está indo o salário.

Outra dica do economista é estipular metas, com prazos e valores. “Por exemplo, vou fazer uma viagem para o Nordeste com a família daqui a um ano e gastar R$ 10 mil. Ou vou quitar o financiamento do apartamento em tanto tempo”, diz. Ele comenta que, dessa forma, fica mais fácil economizar. “Quando a pessoa junta dinheiro por juntar é mais difícil”, afirma.

 


Consumo exagerado pode ser uma forma de preencher o vazio 

Apesar dos tempos de aperto financeiro, a mastercoach e analista comportamental Carolina Jannotti diz que o consumidor pode se dar ao luxo de fazer uma ou outra comprinha por impulso de vez em quando – desde que essa ação não comprometa mais de 10% do orçamento mensal. É uma forma de satisfação justa. O grande problema, porém, é extrapolar. 

A primeira dica para não cair em tentação diante da primeira vitrine é investir no autoconhecimento. Geralmente, segundo a analista, quem compra por impulso está querendo preencher algum vazio. 

“O esperado é que preenchamos esse vazio com o que está faltando ali dentro – e não compras. Elas não vão trazer o resultado e logo você comprará novamente e novamente”, explicou. 

Carolina diz que os “viciados” em corrida são uma ótima inspiração. “Se a compra te faz se sentir poderoso, troque por algo que te dê sensação semelhante, como a corrida e a capacidade de trazer o domínio do nosso corpo e da situação”, aconselha. 

Estabelecer prioridades, metas e evitar companhias “erradas” é outro caminho a ser trilhado. 

>“Somos a média das cinco pessoas com quem mais convivemos. Se estamos com pessoas que amam comprar, seremos contaminados pelo meio”, ressalta. 

Vale, também, evitar ir a lugares propícios ao consumo, acessar sites em épocas de liquidação e buscar criar novos hábitos. Outra recomendação é decidir o que você quer comprar antes de sair de casa, após a pesquisa de preços. E todo cuidado é pouco para não ser pego por uma “falsa liquidação”.