A conta de luz dos mineiros, uma das mais caras do país, poderia ficar até 5% mais barata, caso não existissem ligações elétricas clandestinas, os chamados “gatos de luz”. Essa é a projeção da Cemig, que iniciou ontem um grande mutirão no hipercentro de Belo Horizonte para desligar instalações irregulares. Os principais alvos são casas de prostituição, hotéis, pensões e comércios, como lanchonetes e restaurantes.

Somente no primeiro semestre deste ano, a Cemig realizou 115 mil inspeções nas redes elétricas de todo o Estado. Desse total, 34 mil ou 29,5% continham os chamados “gatos”. 

Segundo o engenheiro de Controle e Combate a Perdas Comerciais da Cemig, Armando Fernandes Rocha, pelo menos 30% dessas instalações irregulares foram feitas em comércios, como hotéis, pensões e restaurantes.

“É importante ressaltarmos que as irregularidades acontecem tanto em residência, quanto em indústrias e comércios. É uma prática generalizada e não apenas algo que só acontece na periferia. Então, não há um lugar com concentração maior dos ‘gatos’. Ainda que a região metropolitana concentre 50% de todas as irregularidades em Minas, as ligações clandestinas não são feitas apenas nas residências”, explica.

A estimativa da Cemig é que as ligações clandestinas representem uma perda de R$ 450 milhões ao ano para a companhia. Parte desse rombo é pago pelos 8,5 milhões de consumidores regulares em 805 cidades de Minas, enquanto a Cemig arca com outro percentual desse rombo. 

Procurada, a Cemig não soube informar qual o percentual transferido para o consumidor relativo aos prejuízos financeiros, a partir das ligações clandestinas de energia.

Checagem

Na operação iniciada ontem, com previsão de término amanhã, a Cemig pretende conferir 200 instalações supostamente irregulares, todas no hipercentro da cidade. Além disso, 1.600 instalações inadimplentes da região central também serão checadas por cerca de 70 técnicos. A projeção da companhia é que até 60% dessas instalações sejam desligadas. 

“Na checagem, nossa média é de confirmar que entre 50% e 60% das ligações estão irregulares. Em alguns casos, a pessoa que estava em débito arcou com as contas ou então a ligação clandestina já foi removida. Isso acontece bastante”, explica o engenheiro da Cemig.

Ao identificar uma suspeita de irregularidade, o eletricista da Cemig retira o medidor da unidade consumidora e lacra o aparelho em envelope plástico específico. Em seguida, um novo equipamento é instalado e o antigo, com suspeita de fraude, é enviado para o laboratório da Cemig, onde é feita uma análise detalhada para identificar todas as possíveis irregularidades. 

Caso confirmada a adulteração, o titular da conta terá que arcar com os valores referentes a toda a energia furtada e não faturada pela Cemig. O consumidor recebe o boleto com a cobrança em casa e pode parcelar o valor em até 36 vezes. Além disso, o titular flagrado em caso de irregularidade pode responder criminalmente, uma vez que o furto de energia elétrica é considerado crime previsto no artigo 155 do Código Penal, com multa e pena de um a oito anos de reclusão.

“É importante ressaltar que os ‘gatos’ podem causar sérios acidentes. Muitos transformadores queimados e fiações que arrebentam são consequência de ligações clandestinas”, completa Armando Rocha.