Após o término da Segunda Guerra Mundial, os automóveis norte-americanos explodiram em vendas. O mercado doméstico estava aquecido, na chamada era do Baby Boom. Por outro lado, a Europa ainda se recuperava da devastação bélica.

Assim, volta e meia um executivo de Detroit batia à porta de um fabricante do Velho Mundo com um cheque gordo na mão. A Ford virou uma devoradora de marcas europeias, numa corrida de conglomerados de marcas em que Chrysler e General Motors também disputavam as linhas de montagem mundo afora.

Land Rover, Aston Martin, Volvo e Jaguar foram parar nas mãos da norte-americana. A Ford queria volume para a Jaguar. Durante seu comando, de 1989 a 2008, ela compartilhou plataformas e tecnologias de outras marcas.

O sedã X-Type, um dos grandes fracassos da Jaguar, era nada mais que um Mondeo de grife. Nos Estados Unidos, era comum vestir um Ford de Lincoln, mas na Europa, não colou.

E uma dessas estripulias foi batizada de R-D6, nome que parece ter sido tirado de “Star Wars”. Trata-se de um conceito de um hatchback esportivo, que cuspia nos dogmas da marca Coventry.

Para quem não se lembra, quando a Jaguar lançou a perua do X-Type, os fãs ferrenhos só faltaram para arrancar os cabelos. Pois até então a Jaguar fabricava sedãs, roadsters, cupês e nada mais. Com o hatch não seria diferente, ainda mais que ele era um Mazda RX-8 com emblema do gato. 

Um Mazda? É verdade! Naquela época, a Mazda era parceira da Ford, assim como a Mitsubishi tinha um tico-tico no fubá com a Chrysler e a GM com a Suzuki.

O RX-8 foi apresentado em 2002, no Salão de Detroit. O Cupê com portas traseiras suicida (tipo o Hyundai Veloster), brilhou nos olhos da Ford. Poderia ser o esportivo acessível para a Jaguar, para brigar num segmento em que o Audi A3 fazia muita grana e não tinha rivais. 

O designer Ian Callum, que já tinha desenhado o X-Type ficou a cargo do projeto que foi entregue em 2003. O carro ficou legal e ainda hoje impressiona pelo estilo. Apenas os faróis ficaram datados.

Mas era um carro que tinha estilo retrô, como o sedã S-Type, que era uma releitura do clássico Mark II (o porquinho). 

O R-D6 tinha grade vertical unida ao capô e faróis duplos. Os para-lamas traseiros alargados e a cadência curva da tampa do porta-malas seguiam o estilo do colega japonês. As rodas aro 21, elementos cromados e as lanternas translúcidas davam visual agressivo ao estudo.

Sob o capô, o conceito recebeu um motor V6 turbodiesel 2.7 de 233 cv e 50 kgfm de torque, desenvolvido com a Peugeot. O que se sabe é que o esportivo teria tração traseira.

O carro foi levado para o Salão de Frankfurt de 2003, onde chamou a atenção do público. Mas ficou apenas no estudo. Se tivesse sido produzido, certamente seria a tacada mais legal da era Ford na Jaguar.