Desde 2002 com planos ousados e atuação em um mercado de uso intensivo de tecnologia, a Indústria de Aviação e Serviços (IAS), sediada em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), está prestes a dar um salto tecnológico que colocará a companhia em outro patamar. Em fase de ampliação do parque fabril, a empresa pretende concluir em até quatro anos a fabricação de motores para produção de energia elétrica e planeja atuar também na fabricação de peças para aeronaves.

O sucesso desse plano levará ao aumento de três a quatro vezes no faturamento da companhia e no quadro de funcionários, hoje de 110 profissionais, na mesma proporção das receitas. A empresa não informou o faturamento, mas de acordo com o portal da Transparência, do governo federal, o Ministério da Defesa, em 2015, direcionou R$ 30 milhões para a IAS. Em 2014 foram R$ 34 milhões. Os recursos são majoritariamente destinados à manutenção de “material aeronáutico”.

A empresa tem a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig) como sócia e está em negociações com outro parceiro. Como está enquadrada na Lei de Empresas Estratégicas de Defesa (Lei 12.598/2012), sócios estrangeiros não podem assumir o controle acionário da IAS. As tratativas com o potencial parceiro deverão ser encerradas em até seis meses.

A IAS é uma importante empresa do setor de reparos e manutenção de turbinas, contratada por gigantes do setor. No caso da Rolls Royce, por exemplo, a IAS é a única empresa da América do Sul credenciada para suporte técnico.

O primeiro motor de fabricação da IAS terá 30% de conteúdo nacional e potência de 1 Megawatt. O conteúdo será integralmente nacional em um horizonte de 15 anos. “Estamos queimando algumas etapas, importando o que é possível e usando o conhecimento da eficiência dos motores aeronáuticos para motores de energia, mas temos que trilhar nosso próprio caminho porque há um certo nível de tecnologia que não está à venda”, disse o diretor-geral da IAS, Ronaldo Aldrin.

O desafio maior no momento, observou Aldrin, é tornar o motor viável financeiramente para os potenciais clientes, que “vão de hospitais a fábricas de todo o tipo”, disse. Já o mercado de peças para aeronaves e de equipamentos como turbinas aparece como o “caminho natural” da IAS.

“Quem passa pelo reparo (de equipamentos) adquire capacidade técnica para fabricação, mas precisamos de mais que isso. Estamos cumprindo as etapas para chegar lá”, afirmou o diretor operacional da empresa, Eliseu Alcântara.

Empresa quer ampliar atuação no mercado doméstico

Mais de 90% da manutenção de motores da frota de aeronaves do país é realizada no exterior e é nesse gigantesco mercado em potencial que a IAS também está de olho. Realizar essa manutenção no país é interesse também das companhias aéreas, que hoje precisam recorrer ao mercado europeu, mas falta o acordo com a parte mais importante: as fabricantes, que credenciam quem pode realizar reparos em suas peças e equipamentos.

“Precisamos e estamos trabalhando em cima de um forma de tornar o negócio bom para eles (fabricantes) também. Há negociações nesse sentido, mas isso envolve transferência de tecnologia e é um processo mais complexo”, disse o diretor operacional da IAS, Elizeu Alcântara. A manutenção em turbinas de potência próxima a 30 mil libras de empuxo, usadas em aeronaves de grande porte como Boeing 767 e Airbus A320, tem um custo entre US$ 5 milhões e US$ 8 milhões.

Ao mesmo tempo em que planeja voos mais altos, a IAS também se estrutura para atender às demandas atuais. Está em curso um plano de expansão da fábrica com aumento em 2,7 mil metros quadrados de área construída (atingindo 10 mil metros quadrados), e aquisição de novos equipamentos como impressoras metálicas 3D e soldas especiais. Os diretores da empresa participaram nessa terça (2) do Café Inovar, promovido pelo Centro de Inovação Senai/Cetec, da Fiemg.