Como forma de dar apoio aos produtores culturais e agentes de turismo de Minas, em momento em que esses trabalhadores estão impedidos de atuarem, devido à pandemia de Covid-19, o Governo de Minas lançou, nesta segunda-feira (1), o programa Arte Salva, que destinará R$ 5 milhões em fomento a profissionais do setor. A iniciativa ainda conta com uma rede solidária composta por cerca de 60 empresas e instituições.

Também nesta segunda, o Hoje em Dia mostrou que os cinemas, que são apenas um dos setores da Cultura afetados pela pandemia, preveem perdas de R$ 1,3 bilhão em receita, com a possibilidade de demissão de 40 mil pessoas no Brasil.

Presente no evento, juntamente com o vice-governador, Paulo Brant, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), afirmou que uma das categorias mais afetadas pelo advento da pandemia é dos artistas. "A grande maioria perdeu a totalidade dos seus rendimentos e, além deles, temos ainda artesãos, que muitas vezes dependem de atividades turísticas. Gostaria de estar fazendo muito mais, mas os limites orçamentários impõem uma série de limitações. Mas, dentro do possível, estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance", afirmou.

De acordo com o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas de Oliveira, metade do valor será oficializado nesta terça-feira (2), com a publicação de edital emergencial, via Fundo Estadual da Cultura. O objetivo é contemplar 1315 projetos, que receberão aporte de R$ 1,9 mil para a produção de vídeos de expressão artístico-cultural. O conteúdo será transmitido em meio digital. 

Como exemplo de trabalhadores que terão acesso ao valor, Leônidas citou os integrantes das 733 bandas de música do Estado. "As bandas de música, compostas, em maioria, por idosos, trabalham com o sopro, com a saliva. Esse momento de auxílio é importantíssimo porque corremos o risco da cadeia da cultura, sobretudo a tradicional mineira, se esvair. Essa é a centralidade (do programa): dar proteção aos artistas, aos guias do turismo, que estão sem trabalhar; garçons, que perderam os trabalhos", afirmou.

Em segundo momento, outros R$ 2,5 milhões, dessa vez em parceria com a Cemig, serão oficializados na próxima segunda-feira (8), em nova publicação de edital. O valor será utilizado em 500 prêmios de R$ 5 mil cada. Ao todo, nas duas etapas, o aporte deverá chegar a 30 mil famílias. Ainda conforme o secretário, o Arte Salva terá estruturação física no Museu Mineiro (av. João Pinheiro, 342 - Lourdes). O local foi escolhido para possibilitar que o produtor cultural ou agente de turismo possa ter mais facilidade de acesso. No local, também serão recebidas doações de pessoas e empresas. 

Além disso, o ponto servirá de auxílio aos empreendedores da cultura que desejam informações sobre como acessar empréstimos a partir dos R$ 4 bilhões em créditos destinados pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMB).

Programa com parceiros

Além da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, o Arte Salva foi pensado com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Sesc em Minas. "Esse é um projeto transversal de governo, com o Desenvolvimento Social, a Cultura, parceiros externos e instituições. Queremos trazer esperança e solidariedade àqueles que estão precisando. São 30 mil famílias necessitando, às vezes até passando fome. Esse projeto trará salvação para essas pessoas, a partir da arte", opinou Elizabeth Jucá, secretária de Desenvolvimento Social.

O apoio principal do Sesc ocorrerá por meio do programa Mesa Brasil Sesc, programa de segurança alimentar e nutricional, que recolhe doações e distribui alimentos. Nesta terça, segundo Leônidas, quatro carretas da instituição irão em Extrema, no Norte de Minas, buscar 54 mil colombas doadas. "Esse projeto, em momento tão delicado de pandemia, nós contribuiremos e muito para que a situação seja minimizada", afirmou o diretor de Programas Sociais, Serviços e Operações do Sesc em Minas Gerais, Grijalva Duarte.

Leônidas também citou outras ações que estão sendo feitas pela pasta, como projetos de formação de artistas, por meio de parceria do Estado com a Fundação Nacional de Artes (Funarte), do governo federal; e o auxílio a pessoas em situação de rua e artistas de rua na Serraria Sousa Pinto, no Centro de Belo Horizonte, em parceria com a Arquidiocese de Belo Horizonte.

"A Serraria está sendo preparada e estaremos distribuindo alimentos lá na quarta ou quinta-feira. As pessoas poderão tomar banho, se informar. Haverá entrega de roupa e também será um ponto de recebimento de doações. Nossa preparação é para atender mil pessoas por dia", afirmou o gestor.