O governo de Minas Gerais sinalizou que deverá vetar as emendas aprovadas pelos deputados para que o reajuste salarial dos servidores da Segurança Pública seja estendido a outras 13 categorias, sobretudo, Educação e Saúde. A emenda foi aprovada pelos parlamentares na tarde de quarta-feira durante a votação em segundo turno do Projeto de Lei 1.451/20.
 
O projeto inicial é do próprio Executivo e aumentará a despesa do Estado em R$ 5 bilhões por ano a partir de 2023, quando ocorrerá todo o reajuste à Segurança. Como o aumento será escalonado em três parcelas, o acréscimo ao contracheque será de 41,74%.
 
Os deputados aproveitaram a votação e estenderam o aumento a outras categorias, mas com percentuais menores, de no máximo 31%. Zema não deverá avalizar a iniciativa dos parlamentares.
 
Em nota encaminhada ao Hoje em Dia, o governo informou que "reafirma o compromisso com o texto original do projeto de lei enviado à Assembleia Legislativa". 
 
Ainda de acordo com a nota, "o impacto financeiro (da recomposição com a Segurança Pública) já havia sido avaliado e o encaminhamento do projeto está em conformidade com o atual entendimento do Tribunal de Contas sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal". 
 
A mesma nota destaca que "as emendas incorporadas ao projeto pelo Parlamento mineiro ainda não foram analisadas pelo Executivo" e "tão logo cheguem ao governo serão analisadas levando em consideração a situação financeira do Estado e a constitucionalidade das mesmas".
 
Nas entrelinhas, o governo informa que a situação financeira será essencial para a decisão de Zema sobre as emendas. A título de esclarecimento, o déficit do Estado para este ano é de R$ 13 bilhões, ou seja, o governo gastará mais do que arrecadará.
 
Além disso, as emendas com a inclusão de outras categorias no reajuste a ser concedido pelo Palácio Tiradentes podem aumentar a despesa do Estado em R$ 20 bilhões por ano.
 
Por fim, a nota reforça os próximos passos do governador: "O governo lembra ainda que o problema do Estado de Minas Gerais é estrutural e somente reformas profundas podem nos tirar da grave crise que nos encontramos e por isso, o governo do Estado continua firme no propósito de aderir ao Regime de Recuperação Fiscal".

Leia também:

'Saia justa': Assembleia aprova emenda que expande reajustes, e dificulta vida do Executivo