O governo de Minas está elaborando um protocolo, para ser divulgado na próxima semana, com orientações para os prefeitos que decidirem flexibilizar o isolamento social em seus municípios. A informação foi apresentada pelo governador Romeu Zema durante coletiva em Brasília, nesta quinta-feira (9), após reunião entre ele, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

De acordo com o governador, mais de 200 municípios do Estado já teriam flexibilizado, de alguma forma, as medidas de isolamento social determinadas em decreto estadual há três semanas. O protocolo garantiria que esses decretos municipais seguissem orientações da Secretaria de Estado de Saúde. De acordo com o governador, o texto deve orientar o uso de máscaras e outros equipamentos, além de limitar o número de pessoas dentro dos estabelecimentos.

“Queremos algo muito responsável. E a curva dos casos do novo coronavírus em Minas tem se comportado de maneira melhor do que em outros estados. Minas tem feito a lição de forma adequada”, explica o governador.

Zema defendeu a flexibilização em cidades onde não houve confirmação de paciente com a Covid-19. “Temos muitos municípios em Minas sem nenhum caso de contágio. Será que esse município tem que ficar com tudo fechado? Tem algum efeito fechar todas as atividades? Mas, a decisão depende de cada prefeito”, diz.

De acordo com boletim epidemiológico desta quinta-feira da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), Minas tem 655 casos confirmados em 80 municípios. Porém, vale lembrar que há 56.807 notificações pendentes de resultados no Estado. Até o momento, 15 mortes foram confirmadas e outras 117 são investigadas. Até esta quarta-feira (8), a Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte, havia realizado 5.300 exames para a Covid-19.

De acordo com levantamento do site Coronavírus MG, 81,9% das cidades mineiras com notificações continuam sem resultados de testes. Entre elas, está Pará de Minas, onde houve 233 notificações para Covid-19, mas nenhuma confirmação. 

Nióbio

Zema contou à imprensa que mostrou ao presidente a gravíssima situação financeira de Minas Gerais. Segundo o governador, se a economia cair 4% em 2020, o Estado deixará de arrecadar R$ 7,5 bilhões em ICMS.

Ele pediu que fossem desenvolvidas novas medidas de ajuda aos Estados, auxiliando especialmente aqueles que, como Minas Gerais, dependem bastante da arrecadação de ICMS como fonte de receita.

Entre as sugestões feitas por Zema, está a que bancos estatais, como Banco do Brasil e Caixa Econômica, possam assumir as operações do nióbio – solução que o Estado havia apresentado no ano passado para arrecadar recursos para acertar a folha de pagamento do funcionalismo público.

“Devido à paralisação do mercado financeiro, a operação ficou em suspenso. Como o governo federal tem grandes bancos, como Banco do Brasil e Caixa, e por se tratar de um bom negócio para esses bancos, sugerimos para eles assumirem essa operação”, disse Zema.

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