O atraso nos salários dos servidores públicos de Minas Gerais pode ter impacto direto na segurança pública. Trabalhadores da área iniciam uma mobilização, segundo uma fonte que pediu anonimato. O governo do Estado já anunciou que o pagamento deve ser depositado apenas no dia 13, e não no dia 8, quinto dia útil. O salário de fevereiro também poderá ser postergado, havendo ainda a possibilidade de parcelamento dos proventos a partir de março.

Nos batalhões em todo o Estado, militares já se movimentam. Ainda de acordo com esta fonte, policiais e bombeiros militares, agentes penitenciários, socioeducativos e policiais civis não descartam ações como greve branca, operação tartaruga (quando pouco efetivo é empenhado para patrulhamento) e o termo muito utilizado na década de 1990 – cana zero – , quando policiais reduziram drasticamente no número de prisões.

“O servidor não pode pagar pelo erro de gestão do governo. A área de segurança pública em Minas está mobilizada. Vamos preservar a segurança da população, mas precisamos cuidar das nossas famílias”, disse um oficial que pediu para ter a identidade preservada.

Segundo o presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares (Aspra-PM/BM), sargento Marco Antônio Bahia, a categoria não descarta a realização de atos públicos em protesto aos atrasos de pagamento. “Esperamos que o governo reveja seu ato e que estabeleça o diálogo com os servidores. Não vamos admitir que os servidores paguem a conta pela falta de administração”, enfatizou o sargento Marco Antônio Bahia.

Oficiais

As entidades que representam os oficiais militares também defendem a realização de ato público com a presença de todos os servidores do Estado. “Estamos nos mobilizando para um protesto envolvendo todas as entidades de classe”, reforça o deputado federal subtenente Gonzaga.

Na próxima quarta-feira (13), os servidores da segurança pretendem ir até a Cidade Administrativa cobrar do governo do Estado a garantia do pagamento integral dos salários, na data correta – até o quinto dia útil. O deputado estadual sargento Rodrigues, que também participa das articulações junto aos servidores do Estado reforça que a população não terá a segurança pública prejudicada.

Governo

Em nota, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão informou que mantém o diálogo com todas as categorias de servidores. E que o governo não tem conhecimento sobre supostas greves ou paralisações dos servidores públicos. Quanto ao parcelamento dos pagamentos, a Seplag alegou que “trabalha para minimizar os impactos da crise financeira sobre o pagamento dos salários dos servidores”.