A discussão sobre a produção e a comercialização do gás natural encontrado na bacia do rio São Francisco, no Norte de Minas, ganhou novo fôlego, nessa terça (24), em reunião de representantes dos governos federal, estadual e do empresariado na Federação das Indústrias do Estado (Fiemg).

Um grupo de trabalho composto por dirigentes das entidades envolvidas será criado para viabilizar a exploração de gás na porção mineira da bacia, emperrada devido a impasses em torno do licenciamento ambiental.

O entrave é a liberação para uso da tecnologia chamada de fraturamento hidráulico na extração de gás não convencional. O fraturamento hidráulico é uma tecnologia usada principalmente nos Estados Unidos, onde a exploração de gás pode viabilizar a autossuficiência energética do país até 2035.

Por outro lado, sua aplicação envolve riscos de contaminação dos cursos de água e do lençol freático. Em virtude dessa possibilidade, ele é proibido em alguns países, como França e Alemanha.

“São aspectos complexos quanto aos licenciamentos a níveis municipal, estadual e federal. Mas acreditamos que temos plena competência para dar solução a tudo”, afirma o presidente da Câmara da Indústria de Petróleo e Gás da Fiemg, Victório Semionato. Segundo ele, o trabalho do grupo não será burocrático, e sim construtivo, com planos e programas pré definidos. “O foco será especificamente a bacia do São Francisco, que hoje é a mais desenvolvida para exploração do gás em Minas”, completou.

Investimento

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que as cinco empresas concessionárias (Cisco, Cemes, Codemig, Imetame e Petra Energia) já investiram mais de R$ 1 bilhão na bacia.

“É frustrante. Temos um potencial imenso e uma indústria capaz. O ponto crucial hoje é uma questão de remoção da liminar proposta pelo Ministério Público Federal em 2014 com a intenção de não permitir a exploração pelo método não convencional”, explicou o especialista da CNI, Rodrigo Garcia.

De acordo com o subsecretário de Política Mineral e Energética, José Guilherme Ramos, a colaboração do Estado para tirar a produção de gás natural do papel é o polêmico projeto de lei 2.946/15, em tramitação na Assembleia Legislativa. “Desde o início do ano estamos trabalhando para modernizar o licenciamento ambiental e acabar com o que há de obscuro com relação a exploração de gás natural”, destacou.