Guardas municipais vão correr com frequentadores do Parque do Ibirapuera

Agência Estado
19/03/2013 às 08:54.
Atualizado em 21/11/2021 às 02:01
 (Prefeitura de São Paulo)

(Prefeitura de São Paulo)

A partir de quarta-feira (20), a Guarda Civil Municipal (GCM) não correrá só atrás de bandidos e de quem pratica vandalismo. Às 8 horas, será lançado o projeto "Corra com a Guarda", em que os agentes atuarão como monitores fazendo cooper com os frequentadores do Parque do Ibirapuera, zona Sul de São Paulo.O projeto será realizado das 8 horas às 11 horas, todas as segundas, quartas e sextas-feiras. Um efetivo de 16 guardas-civis, formados em Educação Física, estará à disposição dos usuários do parque.

Segundo o secretário municipal de Segurança Urbana, Roberto Porto, também corredor, a ideia é usar o projeto para aproximar a população da GCM. "Se a população aderir, pretendemos expandir para outros parques da cidade", afirma Porto. A cada meia hora, um grupo composto por um professor de Educação Física e dois monitores percorrerá um trajeto de três quilômetros no Ibirapuera.

"Muita gente vai ao parque e não tem companhia para correr", diz Porto. Para correr com os guardas-civis, bastará ir até a tenda da corporação, na Praça do Porquinho, próximo do Portão 6. Não é necessário fazer inscrição e o número de corredores é ilimitado.

Além de praticarem corrida, os guardas darão orientação aos corredores e farão sessões de alongamento. A grande maioria dos GCMs do parque, um total de 134, deve permanecer fazendo apenas suas funções de proteção ao patrimônio municipal. A ação é uma estratégia para tentar colar a imagem de "Guarda Comunitária", uma das ideais anunciadas na campanha pelo prefeito Fernando Haddad (PT).

Desde que assumiu, a atual gestão tenta retirar a fama de truculenta da corporação, acusada de agredir moradores de rua no centro e envolvida em brigas com skatistas na Praça Roosevelt. Uma das primeiras atitudes foi trocar o comando da GCM, hoje sob responsabilidade de Eduardo de Siqueira Bias. Ele e o secretário Roberto Porto participarão da corrida inaugural.

Exotismo

Especialista em segurança, o coronel José Vicente da Silva discorda que esse tipo de ação aproxime a GCM da comunidade. "Não vejo nada a ver com a trabalho profissional da guarda, um exotismo sem resultado. Só se melhora a relação com a população no exercício da própria função", afirma.

Já o presidente do Sindicato dos Guardas-Civis Metropolitanos da Cidade de São Paulo, Carlos Augusto de Souza, afirma que a ação pode ajudar a quebrar a desconfiança em relação a membros da corporação. "Talvez seja uma semente de um policiamento comunitário, no sentido de trazer a população para se aproximar da instituição", afirma. Com a GCM desprestigiada, nos últimos seis anos, mais de 1,5 mil integrantes deixaram a corporação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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