Homologar carros para competições de turismo nunca foi simples. Além de investir uma fortuna no desenvolvimento do carro, a FIA sempre exigiu volumes de produção mínimos, que variavam de acordo com a categoria e regulamentos de cada tipo de competição. Em 1962, Enzo Ferrari iniciou o projeto de um cupê para competir nas provas de Gran Turismo do Grupo 3 da FIA, o 250 GTO. 

De 1957 a 1965, o regulamento exigia que pelo menos 100 unidades fossem fabricadas para homologar o carro para as provas. Giotto Bizzarrini tinha sido escalado para projetar o carro. No entanto, reza a lenda (e quando se fala de Ferrari sempre há muito folclore incluso) que as relações entre o comendador e a equipe de engenharia teriam se desgastado e Enzo despediu todo o time. Para terminar o carro, a Ferrari contratou Mauro Forghieri. 

O novo engenheiro fez alterações cruciais na parte traseira do carro, otimizando sua estabilidade. Os ajustes de Forghieri foram fundamentais para o bom desempenho do 250 GTO nas pistas. 

O GTO era um automóvel projetado para oferecer a melhor aerodinâmica possível. O capô longo, com tomadas de ar que poderiam ser tapadas ou não, e uma cadência da carroceria fastback com corte abrupto da traseira faziam dele um legítimo GT.

Sob o capô, 250 GTO era equipado com o conhecido V12 3.0 de 300 cv que era comum em diversos modelos de rua, inclusive na lendária 250 Testa Rossa. A transmissão era de cinco marchas no padrão Dog Leg, com a ré acima da primeira, e facilitava nas arrancadas já de segunda marcha para terceira, sem a necessidade de engatar a primeira.

A treta
Voltando aos números de produção, Enzo sabia que precisaria fabricar 100 carros, mas também que não seria fácil escoar a produção. Daí construiu 33 unidades fieis ao projeto, outras três com motor V12 4.0 de 400 e outras três chamadas de Type 64, que tinha carroceria modificada na parte frontal no teto estilo cupê e não fastback.

A mutreta de Enzo para driblar os fiscais da Fia foi dar uma sequência pouco lógica dos chassis sem numeração em sequência. Depois embarcou os mesmos carros para diferentes locais, fazendo uma confusão nos registros da federação. 

A estratégia deu certo. O 250 GTO se tornou um fenômeno, conquistando o Mundial de Turismo nos anos de 1962, 1963 e 1964 e acabou inspirando Carrol Shelby a projetar a carroceria do Cobra Daytona. Mas isso é história para contar na semana que vem.