SUMARÉ (SP) – Não é de hoje que abordamos no HD Auto que os utilitários-esportivos (SUV) praticamente sepultaram os monovolumes. Peugeot 3008 e Opel Crossland X são alguns exemplos de jipinhos que sucederam minivans. E, pelo visto, o próximo da lista, pelo menos no Brasil, pode ser o Honda Fit, com a chegada do WR-V. 

Apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro passado, o novo Honda virou notícia por ser “aparentemente” um Fit musculoso, como se tivesse saído de uma academia de CrossFit, com o perdão pelo trocadilho infame.

No entanto, a marca japonesa resolveu abrir as dependências de sua fábrica em Sumaré, no interior de São Paulo, para provar que, mesmo que o carrinho aproveite quase tudo do Fit, o WR-V passou por diversas modificações para ser considerado um automóvel distinto do irmão. 

Segundo os engenheiros e executivos da Honda, o WR-V teve seu conjunto de suspensão totalmente revisto. No eixo dianteiro as mangas de eixo foram substituídas por modelos que utilizam aço de maior resistência e na traseira o eixo rígido tem maior espessura.

De acordo com a Honda, isso o torna apropriado para uso em fora do asfalto. No entanto, estamos falando de estrada de terra e não trilha. No conjunto de direção a barra estabilizadora também é mais espessa que no Fit, da mesma forma que as buchas de suspensão também foram reforçadas. 

Cara nova
Os japoneses são categóricos em afirmar que o chassi não é o mesmo do Fit. Apesar de compartilhar os painéis laterais e a plataforma, que também é a mesma do HR-V, a Honda afirma que cada chassi é distinto.

Daí, a mudança mais significativa em relação ao monovolume é na seção dianteira. O WR-V conta com novo sub-chassi que permitiu a nova forma do capô, formando um segundo volume. Além disso, as novas caixas de ar e rodas maiores exigiram um distanciamento do entre-eixos em três centímetros, mas que não reverteu em nada o ganho de espaço interno. Desse ponto de vista, não há como negar que o chassi é diferente, mesmo que o resto seja igual.

Por dentro o “jipinho” não difere em nada do Fit, desde a disposição dos elementos do painel e os bancos. O que muda são as padronagens de cor, que buscam um apelo mais aventureiro.

Motorização
Sob o capô, o que é certo é que o WR-V contará com a mesma unidade 1.5 de 116 cv do Fit. No entanto, os executivos não decidiram se o modelo terá opções de caixa manual e CVT. Apenas o CVT é dado como certo. 

Modelo chega num momento de baixa entre monovolumes
O lançamento do WR-V tem uma razão especial para a Honda do Brasil. O modelo é o primeiro carro desenvolvido pela filial brasileira e também marca os 20 anos de operações da fábrica de Sumaré. Daí, um bom desempenho é fundamental para a casa brasileira não fazer feio diante da matriz, o que torna compreensível o esforço em dizer ao consumidor que o carro é realmente um SUV urbano e não a metamorfose de um pacato monovolume.

Além disso, a chegada do WR-V acontece num momento estratégico no mercado de automóveis. O segmento de SUVs vive seu momento de glória, sendo capaz de driblar a queda de vendas do restante do mercado de automóveis. O próprio HR-V foi um dos poucos automóveis que, em 2016, registrou alta sobre 2015. 

Por outro lado, o Fit teve seu pior desempenho desde seu lançamento em 2003, segundo o boletim da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Com 28.439, o Fit ficou bem aquém dos 42.746 anotados em 2015.

No entanto, a chegada do WR-V não significa a morte do Fit, mas é nítido que haverá uma migração natural para o modelo aventureiro, devido ao grande interesse do público por jipinhos. Segundo o vice-presidente da Honda América do Sul, Roberto Akiyama, “o consumidor tem procurado mais pelos SUVs devido à sua versatilidade e praticidade”.

Apesar da marca ter adiantado muito a respeito do WR-V, preços e versões só serão divulgados em março, quando o carro terá seu lançamento comercial. Mas a julgar que o HR-V parte de R$ 80 mil e Fit orbita entre R$ 57.700 e R$ 79 mil, podemos esperar que o WR-V fique entre R$ 65 mil e R$ 85 mil, o que o colocaria num degrau inicial abaixo dos rivais Renegade, EcoSport e Duster.