FOZ DO IGUAÇU (PR) – O que modelos recém-lançados na Europa, como o Peugeot 3008 e Opel Crossland X, têm em comum? Ambos representam a metamorfose do monovolume para o utilitário-esportivo (SUV). Por aqui, a tendência também tem ganhado força e até mesmo o bem-sucedido Honda Fit se enveredou nessa mutação com o WR-V.

Com vendas programadas já para a próxima semana, o Honda WR-V chega como opção abaixo do HR-V. Oferecido em duas versões: EX (R$ 79.400) e EXL (R$ 83.400), o carrinho herdou praticamente tudo do Fit – base, estamparia, interior e conjunto mecânico composto pelo motor 1.5 de 116 cv e transmissão automática do tipo CVT.

O que mudou foi o acerto de suspensão, mais alto e com bitolas mais largas, assim como as novas buchas, amortecedores e pneus com especificações para uso misto. A mudança mais expressiva foi a adoção de um novo sub-chassi para abrigar as modificações da suspensão e também para dar forma à seção frontal que tem desenho destacado, contrastando com as linhas do Fit.

De acordo com os executivos da Honda, a razão da existência do WR-V se faz pelo forte apelo que os SUV’s conquistaram nos últimos anos. Segundo a própria Honda, nos últimos três anos, o mercado brasileiro retrocedeu 40% enquanto os jipinhos tiveram uma elevação de 8%.

Daí, vender um utilitário-esportivo se tornou mais fácil que qualquer outro modelo, principalmente um monovolume como o Fit, que figura num segmento que agoniza por aqui. “Durante as clínicas do HR-V percebemos a demanda por um SUV ainda menor”, explicou o líder de Projeto e Desenvolvimento da Honda do Brasil, Luís Marcelo Kuramoto.

E com um mercado em recessão, desenvolver um jipinho do zero demandaria um aporte milionário e muito tempo para obter retorno. Assim, criar um carro com base no Fit (que é o menor produto da marca no país) seria o caminho mais viável. O lado positivo disso é que o Fit é um automóvel irrepreensível, e que só peca por ser caro.

O WR-V manteve as boas virtudes do Fit como o mesmo bom espaço interno, boa dirigibilidade e modularidade da arquitetura interna. Desde a versão de entrada, oferece direção elétrica, ar-condicionado, quatro bolsas infláveis, kit multimídia com câmera de ré. No topo de linha EXL há um incremento das cortinas laterais, multimídia de 7 polegadas, com navegador GPS, Wi-Fi e conexão com smartphone.

Seja como for, o WR-V, mesmo sendo um Fit travestido de escoteiro, tem a seu favor os predicados do monovolume, que podem parecer pouco atrativos para o consumidor que se seduz por jipinhos no estacionamento do shopping e não se importa de pagar mais por isso. Bem mais!
(*) Viajou a convite da montadora