A inclusão de transmissões sem o pedal de embreagem está se popularizando a cada dia e ganhando espaço em modelos compactos. Depois da invasão das caixas automatizadas com seus trancos e solavancos, fabricantes passaram a apostar em câmbios de dupla embreagem, automática tradicional (com conversor de torque) e também do tipo CVT com suas relações infinitas. A Nissan optou pela última para oferecer mais comodidade à dupla Versa e March.

Testamos a versão topo de linha SL (R$ 58.990), que oferece, além da nova transmissão, itens como sistema de entretenimento que agrega GPS, câmera de ré, leitor de diversos formatos de arquivos, inclusive vídeos e fotos, além de conexão com smartphone nos padrões Apple Car Play e Android Auto. O carrinho ainda conta com ar-condicionado digital e direção com assistência elétrica que tornam a vida a bordo mais agradável.

O March é um carro que se vira bem dentro da cidade, principalmente para quem não precisa de muito espaço para bagagem e oferece conforto para quatro ocupantes. Mostra-se como uma opção funcional. No entanto, ainda é ofuscado pela concorrência. 

Daí o banho de loja fez bem ao hatch fluminense, que não tem tido vida fácil no concorrido segmento de hatches pequenos. De janeiro a outubro, o March vendeu cerca de 14 mil unidades, enquanto o líder do mercado, o Onix, acumula 105 mil carros emplacados, segundo balanço da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). 


Nissan March SL 1.6 X-Tronic

O que é?
Hatch pequeno, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado de Resende (RJ).

Quanto custa?
R$ 58.990 (testado)

Com quem concorre?
O March, em sua configuração topo de linha e caixa automática, concorre com Chevrolet Onix LTZ, automático, (R$ 66.540); Fiat Palio Essence Dualogic (R$ 59.120); VW Gol Highline I-Motion (R$ 62.866); Hyundai HB20 Top, automático, (R$ 61.645); e Renault Sandero Dynamique Easy-R (R$ 56.200).

No dia a dia
O March é um automóvel projetado para uso urbano e se desenvolve bem na cidade. Seus 3,82 metros de comprimento facilitam a procura de vagas e a serpentear no congestionamento. O pacote de conteúdo da versão topo de linha que inclui sistema multimídia e ar-condicionado digital torna a vida à bordo mais agradável. 

No entanto, até mesmo na opção mais refinada, o March ainda peca em atributos como o isolamento acústico que é praticamente nulo. Basta passar sobre uma poça d’água para se ter a sensação de estar sentado em um bidê. São deficiências que poderiam ser sanadas com mantas acústicas mais eficientes e que valorizariam o restante conjunto.

Motor e transmissão
O motor 1.6 16v de 114 cv combinado com a transmissão X-Tronic CVT cai como uma luva no March. A caixa equipa boa parte da gama, como Sentra, Altima e o novíssimo Kicks. No entanto, ela parece ter sido desenhada para o March. 

Se no Kicks o conjunto motor não inspira fortes emoções, no hatch o comportamento impressiona e é possível perceber como as relações infinitas trabalham mantendo sempre o giro do motor num modo eficiente, mesmo que a velocidade se eleve. Tudo isso faz do March um carrinho muito ágil tanto na cidade quanto na estrada. 

Como bebe?
Seu consumo com álcool gira em torno de 6,7 km/l na cidade.

Suspensão e freios
O March tem um acerto de suspensão muito semelhante aos hatchs populares do mercado, com conjunto independente do tipo McPherson na frente e eixo rígido na traseria. Para dar conta das péssimas vias brasileiras a altura é elevada e compromete a estabilidade. Daí não convém abusar do acelerador.

Pontos positivos
- Motor e câmbio
- Pacote de conteúdo da versão

Pontos negativos
- Isolamento acústico
- Suspensão