Quem gosta de carros [/TEXTO]norte-americanos sabe muito bem que os ianques sempre apreciaram carros grandes, com motores enormes e tração traseira, ótimos para acelerar em linha reta e em circuitos ovais. Comportamento dinâmico, por muito tempo, foi relegado aos europeus e suas pistas mistas, mas o cenário começou a mudar em meados dos anos 1960, depois que o “esculpido” GT40 da Ford arrematou quatro títulos nas 24 Horas de Le Mans e estimulou a Chrysler a tornar seus carros mais firmes na Nascar. 

Em 1969, a Chrysler levou o Dodge Charger 500 para um túnel de vento computadorizado e o tirou de lá com um “bico de tubarão” e um gigantesco aerofólio. Batizou o bicho de Charger Daytona, em alusão ao circuito tri-oval da Flórida. A peça era muito alta para permitir a abertura da tampa do porta-malas, pois não poderia ser afixado sobre a mesma. A pressão negativa afundaria a tampa. 

Bip-bip

Ao mesmo tempo, a Chrysler resolveu aplicar as mesmas modificações no Plymounth Roadrunner, primo siamês do Charger, batizando-o de Superbird. Para quem não sabe, o roadrunner é um pássaro capaz de atingir elevada velocidade em solo. O passarinho inspirou não apenas a Plymounth, mas também a Warner Bros, e por aqui ele é conhecido como “Papa-Léguas”.

Tanto o Charger quanto o Roadrunner tinham muita potência. Eram equipados com gigantesco Hemi 426, um V8 7.0 de 425 cv, que junto com o kit aerodinâmico fazia o carro voar baixo nas Super Speedways, como Daytona e Talladega, parte do calendário da Nascar.
O Superbird ficou famoso por ter sido conduzido por ninguém menos que Richard Petty, ou apenas “O Rei” na temporada de 1970, vencendo 10 provas e terminando a temporada em segundo lugar. 

Petty é o piloto com mais vitórias na Nascar, tendo vencido 200 provas na carreira, e divide o recorde de maior campeão na categoria com Dale Earnhardt (sete títulos).

No ano de 1970 o carro de Plymounth Roadrunner Superbird de Richard Petty conseguia atingir até 320 km/h em pistas rápidas como Talladega. Os carros eram tão rápidos em relação aos demais que competiam na Nascar que a direção resolveu alterar as regras para os chamados aero-carros, limitando o volume máximo do motor a 5.0 litros além de lastro para que os demais pudessem competir em pé de igualdade.

Mesmo assim, o Plymounth do Rei se tornou um ícone do automobilismo norte-americano, tanto que carro e piloto foram homenageados na animação “Carros” da Disney-Pixar. No filme, o carro azul, chamado “Rei”, corre com o protagonista Relâmpago McQueen, que por sua vez presta homenagem ao ator e piloto Steve McQueen.