O que não tem remédio, remediado está. Foi assim que a Porsche encarou a revolução da eletrificação dos automóveis, que também chegou nos fabricantes de esportivos e supercarros. A marca acaba de revelar o Taycan, seu primeiro automóvel totalmente elétrico, que chega para se estabelecer como referência num segmento que definirá o automóvel nos próximos anos.

Apesar de a marca fundada por Dr. Ferdinand Porsche ter se tornado mundialmente famosa pelo quase sexagenário 911, a montadora sabe que um dia seu icônico esportivo terá que aposentar seu boxer seis cilindros.

Para que isso não aconteça de forma repentina, já vem testando há um bom tempo tecnologias híbridas, em modelos como Panamera, Cayenne, o supercarro 918 Spyder e o protótipo 919 Hybrid. O Tyacan chega como primeiro elétrico de rua da Porsche, com carroceria do tipo cupê quatro portas, que se assemelha à proposta do Panamera. 

Mas quando se olha para ele, o desenho sempre remete ao 911. Fica evidenciado pelas janelas, caimento da traseira e até mesmo a seção frontal, com os para-lamas mais protuberantes que o capô. Trata-se de um design que impressiona e comprova que um elétrico não precisa ser exótico.
 

185 mil euros é o preço cobrado pela versão Turbo S, na Alemanha, Já o Turbo é mais modesto e custa R$ 152 mil euros


Usina
Mas a cereja do bolo do Taycan é o sistema de propulsão. Com tração integral, o Taycan é oferecido nas versões Turbo e Turbo S. Pode parecer contraditório, vez que não há motor a combustão para aplicação de um turbo, mas na gama Porsche, o nome do “suprador” grafado na traseira é a forma de remeter aos modelos topo de gama.

O Turbo entrega 680 cv, que lhe permite acelerar de 0 a 100 km/h em 3,2 segundos e autonomia de 450 quilômetros. Já o Turbo S debita 761 cv e tem aceleração de 2,8 segundos. Só para comparar, o GT2 RS, versão mais potente do 911, tem 710 cv. Por ser mais truculento, sua autonomia cai para 412 quilômetros. 

A Porsche anuncia que é o primeiro caro com sistema de 800 volts, ao contrário dos 400 v convencionas. E que apenas cinco minutos de recarregamento garantem autonomia de 100 quilômetros. Para se obter 80% da carga, não são precisos mais que 25 minutos. Ou seja, você levanta, coloca a água do café para ferver e espeta seu Taycan na tomada. Depois do desjejum, ambos estarão com “barriguinha cheia” para começar o dia.

Por dentro, esse Porsche segue o padrão da marca, com destaque para o painel com quatro telas. O quadro de instrumentos simula o clássico quadro do 911, com seus relógios circulares. Há outras três para navegação, entretenimento, climatização e funções auxiliares. 

E como não poderia faltar, no alto está o tradicional cronógrafo analógico. Afinal de contas, não é porque é um elétrico que o feliz proprietário não poderá mais cronometrar voltas em circuito fechado.