A vida da Kia não tem sido fácil no Brasil. Com volume de vendas 80% menor que há cinco anos devido ao fato de a marca não se integrar ao programa Inovar-Auto, a nova geração do utilitário-esportivo (SUV) Sportage é tida como um alento para a marca, que não enxerga mudanças nas regras de importação a curto prazo. Carro-chefe da marca no país, o jipinho desembarca com preço inicial de R$ 109 mil na versão de entrada (LX) e R$ 135 mil na mais sofisticada (EX).

O SUV aposta num pacote de conteúdo farto, capaz de fazer frente, inclusive, a modelos premium do segmento, como BMW X1, Mercedes-Benz GLA e Audi Q3, nas versões de entrada, e também de ofuscar concorrentes diretos como o primo Hyundai ix35, Toyota RAV4 e Honda HRV.
Visualmente, o modelo ficou mais robusto, e mesmo que lembre muito a geração passada, a quarta geração do jipinho é totalmente nova. O que não mudou foi o motor. Por aqui ele continua sendo oferecido apenas com unidade bicombustível 2.0 de 167 cv, assim como o conterrâneo da Hyundai, completado com uma transmissão automática de seis marchas.

Se, por aqui, o Sportage é visto com um fôlego renovado para a marca vislumbrar um aumento de volume, na estratégia global da Kia o utilitário-esportivo (SUV) é uma das principais apostas da empresa, com foco para o mercado norte-americano, onde os sul-coreanos caíram no gosto dos ianques. Enquanto a geração anterior vendeu 1,7 milhão de unidades, a Kia projeta para a atual um mercado de 3 milhões de carros.

Com bom espaço interno, com direito a mimos como banco traseiro bipartido e com encosto reclinável, assim como bancos dianteiros com ajustes elétricos, o Sportage está um passo à frente do Hyundai ix35, que por aqui ainda é vendido na geração anterior. O jipinho oferece sistema multimídia com tela de 7 polegadas, que agrega navegador GPS, DVD, CD, MP3, USB e Bluetooth para telefonia, assim como direção elétrica, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros.

O modelo impressiona pelo excelente isolamento acústico, ótimo nível de acabamento e construção, o que ratifica que a Kia atingiu padrão de qualidade que explica seu bom desempenho nos mercados europeu e norte-americano.

Se por dentro o modelo impressiona, com acabamento em couro e teto solar panorâmico, exclusividades da versão topo de linha, EX, debaixo do capô o jipinho não aspira grandes emoções. A unidade 2.0 de 167 cv, combinada com caixa automática de seis marchas, se mostra satisfatória dentro da cidade. No entanto, na estrada o conjunto está aquém de modelos (que a marca classifica como concorrentes) equipados com motores turbo, como a trinca alemã (X1, GLA e Q3), que oferece torque muito superior e menor consumo de combustível.

O motor do Sportage demora a entregar todos os 20,2 mkgf de torque, que só aparecem aos 4.700 rpm. Dessa forma, a transmissão se mostra indecisa na busca da marcha ideal, com reduções a todo instante que fazem o motor berrar.

Mercado
Depois de cinco anos de agonia, a Kia ainda sente o peso dos efeitos do programa Inovar-Auto que atingiu em cheio os importadores, em especial a sul-coreana. A Kia viu seu volume despencar de 80 mil para 10 mil carro ao ano, uma vez que a cota de importação sem a sobretaxa de 30 pontos percentuais sobre o IPI é limitada a 4.800 unidades. Acima disso a tributação é cheia.

Segundo o presidente da Kia no Brasil, José Luiz Gandini, as expectativas de melhora no cenário dos importadores não deverão acontecer em curto prazo.

“Estamos vivendo um período político conturbado e sabemos que nossa situação não é prioridade agora. No entanto, estamos passando por momentos difíceis, pois quando o dólar estava baixo dava para equilibrar os 30 pontos percentuais da sobretaxa, mas com a moeda batendo na casa dos R$ 4 fica impraticável. Assim, trabalharemos dentro da cota de importação”, explica o executivo.