A Fiat assumiu o controle do mercado de picapes médias com a Toro, mesmo que o modelo não seja uma legítima média. De janeiro a agosto foram licenciadas 34 mil unidades, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), contra 21 mil da vice Toyota Hilux.

Parte do êxito do modelo se dá por oferecer comportamento de carro de passeio, associado com capacidade de carga elevada e até habilitação fora de estrada, nas versões equipadas com motor turbodiesel e tração 4x4. O problema é que havia um hiato na linha da picape. Com motor diesel, ela era oferecida com caixa manual de seis marchas ou automática de nove. No entanto, a mais sofisticada era exclusividade da versão topo de linha Volcano, que tem preço parelho com as médias tradicionais como Hilux, L200 e Amarok de configuração semelhante.

E quem andou na Toro diesel com caixa manual sabe que o utilitário deixa a desejar principalmente nas arrancadas em subidas, onde é preciso segurar a embreagem até o motor encher. 

A solução veio com a Freedom AT9, que eliminou diversos conteúdos e enfeites da Volcano, mas garantiu a inclusão da caixa de nove marchas. São R$ 12 mil a menos que a topo de linha. No entanto, quando se equipa o modelo com todos os opcionais, como ar-condicionado digital, multimídia, faróis de neblina, bancos em couro e demais fricotes, o preço sobe para R$ 130 mil. 

Raio-x Fiat Toro Freedom 2.0 AT9 4x4

O QUE É?
Picape cabine dupla de porte intermediário.

ONDE É FEITA?
Produzido na unidade da FCA em Goiana (PE).

QUANTO CUSTA?
Entrada: R$ 118.740
Testada: R$ 130.106

COM QUEM CONCORRE?
A Toro faz parte de um segmento intermediário entre as picapes leves e as médias. No entanto, a versão é a mais acessível entre as caminhonetes com cabine dupla, motor turbodiesel e tração 4x4. Concorrentes como Mitsubishi L200 Triton, Toyota Hilux e Volkswagen Amarok, com as mesmas características têm preços iniciais entre R$ 130 mil e 135 mil.

NO DIA A DIA?
Partindo do princípio de que a Toro é um veículo de carga, seus atributos de comodidade a tornam mais próxima de um automóvel que as médias. A inclinação do banco traseiro oferece mais conforto para as costas que as demais, em que os encostos são praticamente em 90 graus. 

Menor e mais estreita, a Toro se comporta como um sedã grande no trânsito e a câmera de ré (opcional) facilita as manobras. Por outro lado, o teto baixo e a inclinação acentuada da coluna “A” dificultam o acesso ao volante aos mais altos. O senão da versão fica por conta dos itens de série. Para receber a caixa AT9, ele teve diversos itens removidos, como rádio, sensores de chuva e acendimento automático, rodas de liga leve e capota marítima.

MOTOR E TRANSMISSÃO
O motor turbodiesel 2.0 de 170 cv e 35,7 mkgf de torque oferece muita força à picape para carregar até uma tonelada de carga. Ao contrário da caixa manual, que exigia habilidade para arrancar na subida sem deixar que ele apagasse ou saltasse diante do carro à frente, a transmissão automática de nove marchas opera com facilidade e oferece relações longas em velocidade de cruzeiro que contribui para o menor consumo.

COMO BEBE?
No percurso combinado entre urbano/rodoviário o consumo médio foi de 10,4 km/l.

SUSPENSÃO E FREIOS
A Toro tem ótimo acerto de suspensão, principalmente na traseira, que utiliza conjunto independente no lugar do tradicional eixo rígido e feixe de molas. O sistema de freios se mostra adequado para um veículo de quase 1,8 tonelada, mas não convém deixar para frear em cima da hora.

PONTOS POSITIVOS
CONSUMO
SUSPENSÃO TRASEIRA

PONTOS NEGATIVOS
ACESSO AOS BANCOS DIANTEIROS
PACOTE DE OPCIONAIS CARO