Quando a Volkswagen lançou a opção de motor TSI (turbo 1.0 de 106 cv) deixou claro que se tratava de um automóvel com foco na eficiência e não um esportivo de bolso. Mas boa parte da imprensa, inclusive este que lhes escreve, viu no carrinho uma espécie de “foguete de bolso”. Mas não foi leviandade, afinal, o carrinho é uma delícia e acelera de forma bastante vigorosa, para nos fazer acreditar em sue potencial atlético.

Agora, a marca colocou no mercado o Golf TSI 1.0 para ocupar a base da linha, partindo de R$ 74.990, ficando abaixo, inclusive, da versão equipada com 1.6 de 120 cv. E mais uma vez o foco é eficiência. Ele não é “Mil” e nem é “Esporte”, e, sim, equilibrado.

O motor de 125 cv amplia o leque de opções da versão de entrada Comfortline. Ela mantém a mesma cesta de equipamentos de série que tem como destaque os sensores de estacionamento traseiro e dianteiro, controle de estabilidade (ESC), assistente de partida em rampa (hill holder) e sete airbags. Afinal, ele não deixou de ser um hatch médio e exige mais qualificação que os demais automóveis com motores 1.0, mesmo que o senso comum nos faça crer que se trata de uma versão “popularizada” do Golf.

E uma prova disso é que, quando equipado com todos os itens opcionais, incluindo ar-condicionado de duas zonas, teto solar, kit multimídia, sensores de chuva e crepuscular, assim como revestimento em couro dos bancos e rodas aro 17, o preço pula para R$ 95 mil. 

Sendo assim, a Volks traça um caminho parecido com o que a Ford fez com o Fiesta em sua versão EcoBoost 1.0, que ocupa o topo da linha do compacto norte-americano para poder justificar o preço elevado do motor importado. No entanto, ao contrário da Ford que trouxe a versão para reforçar sua imagem, a VW busca ampliar o volume de produção da unidade turbo e fazer economia de escala. E o “pulo do gato” está justamente em colocá-lo na base de um modelo qualificado.

Raio-x Volkswagen Golf Comfortline TSI 1.0

O que é?
Hatch médio, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade São José dos Pinhais (PR).

Quanto custa?
R$ 74.990
R$ 95.071 (testado)

Com quem concorre?
A versão é a única do mercado equipada com motor turbo 1.0. No entanto, pela faixa de preço inicial o Golf concorre Ford Focus SE 1.6 (R$ 76.200) e com as últimas unidades do falecido Fiat Bravo, na sua versão Essence 1.8 (R$ 72.120). Com pacote completo, o Golf 1.0 entra na faixa de preços onde estão o novíssimo Cruze Sport6 LTZ (R$ 101 mil), e o a versão Highline TSI do próprio Golf (R$ 100 mil) que oferecem motores turbo mais vigorosos.

No dia a dia
O Golf sempre foi um automóvel respeitável, desde que começou a ser importado na década de 1990, na terceira geração. O hatch oferece boa posição de dirigir, com bancos que envolvem o motorista e instrumentos bem próximo das mãos. Com a lista de opcionais completa, o hatch não deixa nada a desejar para as versões mais sofisticadas.

O acabamento é bom, assim como a qualidade dos materiais e o excelente isolamento acústico, o que faz do Golf 1.0 uma opção interessante para quem busca refinamento, conteúdo, mas não quer pagar o preço na bomba de combustível. O pacote de básico de equipamentos é respeitável, principalmente nos itens de segurança e fez dele uma opção interessante para quem faz questão de um hatch médio, já que o preço é um dos mais convidativos da categoria. 

Motor e transmissão
O motor turbo 1.0 12v é o mesmo utilizado no Up, no entanto, sua potência foi recalibrada para 125 cv e o torque para 20,4 mkgf, contra 105 cv e 16,7 mkgf, o que lhe confere fôlego para deslocar seus 1.218 quilos. 

No entanto, o turbo mostra sua presença acima dos 2 mil rpm, o que demanda um condicionamento do pé esquerdo, principalmente quando se arranca em ladeira. Mesmo com o suporte do assistente de partida em rampa, é preciso dar um pouco mais de pressão no acelerador para não deixar o carro morrer. 

Já na estrada, o Golf se comporta infinitamente melhor que a unidade 1.6, devido à farta oferta de torque. Mas o seu segredo é poder rodar em velocidade de cruzeiro de sexta marcha, com giro baixo, o que favorece a eficiência. Porém, até mesmo o mais racional dos motoristas é tomado por um tesão quando o ponteiro passa dos 3 mil giros, é quando toda a força do motorzinho empurra as costas contra o banco.

Como bebe?
Seu consumo com gasolina foi de 10,9 km/l na cidade.

Suspensão e freios
A suspensão do Golf 1.0 utiliza a mesma configuração da versão 1.4, assim como do primo Audi A3 Sedan, que também divide a linha de montagem no Paraná. Trata-se de um conjunto McPherson à frente, e eixo rígido na traseira, que não oferece o mesmo comportamento de um conjunto independente, mas o controle de estabilidade (ESC) tem atuação muito rápida e corrige bem as limitações do conjunto. Já os freios utilizam disco nas quatro rodas e contribuem para imobilizar seus 1.200 quilos.

Pontos positivos
- Economia
- Pacote de segurança

Ponto negativo
- Pouco torque em baixa rotação