O Chevrolet Cobalt tem seguido uma trajetória quase que darwiniana. Afinal, trata-se de um automóvel que evoluiu com o passar dos anos. Ainda não chegou à excelência, mas melhorou muito de lá para cá. Chegou em 2011 como um sedã despojado, feio e esquálido, mas aos poucos ganhou prestígio para não concorrer com a segunda geração do Prisma. 

Disputando apenas com o Honda City, num segmento intermediário entre sedãs pequenos e médios, o Chevrolet tem vendido uma média de 2 mil unidades ao mês, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), enquanto o rival tem vendido na média de 1,3 mil carros/ mês. 

Mas a vida boa do Cobalt está prestes a acabar. Em 2018 chegam os novos Volkswagen Virtus e Toyota Yaris, que prometem provocar revoluções no segmento, que tenderá a se tornar o novo Médio (do Terceiro Mundo). E diante disso, a GM terá que rechear seu representante.

Testamos a versão Elite, equipada com motor 1.8 de 111 cv e transmissão automática. A versão ocupa o topo da gama e oferece conteúdos que fazem dele uma opção interessante para o consumidor que não conseguiu acompanhar a escalada de preços dos médios, como o próprio irmão Cruze, que parte de R$ 92 mil.

Estacionado
Sem alterações na linha, o Cobalt não acrescentou conteúdos, mas também não perdeu. A razão está na manutenção do preço, que desde dezembro passado teve reajuste de apenas 2%. Afinal, tanto o Cobalt quanto o City ocupam uma faixa de preços que foi invadida pelos utilitários-esportivos (SUV) compactos que têm muito mais apelos que eles. Daí, segurar o preço é uma obrigação.

A parte ruim disso tudo é que para não mexer na etiqueta, o Cobalt deixou de evoluir. O sedã não conta com itens como controle de estabilidade (ESP) e tração (TC), indispensáveis para elevar os níveis de segurança. Também faltam airbags laterais.

São conteúdos que farão parte das listas de equipamentos dos concorrentes que chegarão em 2018 e que forçaram a General Motors a se mexer e não fazer dele a próxima tartaruga gigante de Galápagos.

Raio-x Chevrolet Cobalt Elite 1.8

O que é?
Sedã compacto, quatro portas e cinco lugares.

Onde é feito?
Fabricado na unidade de São Caetano do Sul (SP).

Quanto custa?
R$ 72.490
R$ 73.890 (testado)

Com quem concorre?
O único concorrente direto do Cobalt é o Honda City, que tem preços entre R$ 60.900 e R$ 81.400. No ano que vem, ele ganhará a companhia de Volkswagen Virtus e Toyota Yaris.

No dia a dia
O Cobalt é um compacto com porte de sedã médio. A oferta generosa de espaço interno e bagageiro de 563 litros fazem dele uma opção para quem não pode mais pagar pelas cifras nababescas dos médios modernos que, se não superaram, esbarram na casa dos R$ 100 mil. Apesar do acabamento em couro e das peças cromadas, que elevam a percepção de refinamento, os plásticos duros estão longe da realidade de um sedã médio. 

Sem opcionais, o pacote de conteúdo da versão Elite oferece assistente remoto OnStar, sistema de entretenimento de bordo MyLink com a conexão nos padrões Apple Carplay e Android Auto. Por outro lado, a câmera de ré e sensor de estacionamento traseiro facilitam as manobras. Ele também oferece censor crepuscular, mas peca por não disponibilizar controles de tração e estabilidade (ESP)

Motor e transmissão
O motor 1.8 8v de 111 cv está distante de ser um exemplo de performance, mas não decepciona. O seu trunfo são os 17,7 mkgf de torque que garantem boa aceleração e retomada. Combinado com a transmissão automática de seis marchas, o Cobalt se mostra muito confortável e de operação suave. 

Como bebe?
Da última vez que avaliamos o sedã, o consumo com álcool foi de 8,0 km/l no combinado entre trajeto urbano e rodoviário. Desta vez, com gasolina, o modelo registrou médias de 9,8 km/l.

Suspensão e freios
Fazendo uso do tradicional conjunto independente (McPherson) na frente e eixo rígido na traseira, o Cobalt tem acerto firme e boa estabilidade, sem comprometer o conforto. 

O sistema de freios adota conjunto de discos na frente e tambor atrás. A ausência do ESP também elimina a inclusão do assistente de partida em rampa “Hill Holder”, o que em cidades de topografia acidentada como Belo Horizonte é um grande alento.

Pontos positivos
Cesta de equipamentos
Conforto
Porta-malas

Pontos negativos
Plásticos duros no acabamento
Faltam controles de estabilidade e tração
Não oferece luz diurna (DLR)