Desempregado há quase cinco meses, Daniel Souza, de 41 anos, enxerga no concurso para trabalho temporário destinado à coleta de dados para o Censo 2020, aberto ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a esperança de dias melhores, mesmo que por um período de três a cinco meses. Dependendo da cidade e da produção, o salário dos aprovados poderá superar os R$ 4,5 mil, para 50 horas semanais.

Souza fez a inscrição para uma das 208.695 vagas em todo o Brasil, sendo quase 22 mil em Minas Gerais. As inscrições se encerram em 24 de março.
No Estado, as oportunidades são para agente censitário municipal (230 postos e vencimento de R$ 2,1 mil), agente censitário supervisor (2.950  postos e contracheque de R$ 1,7 mil) e recenseadores. Para esse último cargo, há 18.746 vagas de trabalho. Já o salário é por produtividade.

Duração
Os contratos de trabalho temporário terão duração de três meses para o cargo de recenseador e de cinco meses para os agentes. Poderão ser renovados conforme necessidades do IBGE e  disponibilidade orçamentária. 

A prova para seleção de agente censitário municipal é a mesma para supervisor. Os mais bem colocados em cada município, como agentes censitários, terão como principal função coordenar a coleta do Censo 2020. Por sua vez, os demais agentes censitários supervisionam as equipes de recenseadores.

O novo exército de trabalhadores deixa o empresariado otimista. A economista Ana Paula Bastos, da Câmara de Dirigentes Lojistas da capital (CDL-BH), destaca que, mesmo que por um período temporário, tantas ocupações representam mais dinheiro na economia. 

“A pessoa retorna ao trabalho formal. E quem está em débito tem a possibilidade de pagar dívida, voltando a ter crédito na praça”, avaliou a economista.

Daniel Souza, que ontem fez a inscrição para atuar em Betim, está animado com a possibilidade de prestar serviço para o Instituto. 

“Minha expectativa é boa. Sempre quando ocorre um evento como o de um concurso, a gente avalia como a possibilidade de uma recolocação de trabalho. Desde que estou desempregado, tenho buscado emprego e pegado bicos”, disse ele.

Em Minas, conforme pesquisa divulgada pelo próprio IBGE no fim de 2019, 1,123 milhão de homens e mulheres estavam desempregados.

A taxa de inscrição para funções de nível médio (agente ou supervisor) é de R$ 35,80 e, para a de recenseador (fundamental), R$ 23,61

 

Em BH, salário mensal de recenseador poderá passar de R$ 4,3 mil, com 101 entrevistas por semana

O cargo de recenseador pode render um bom salário aos aprovados no concurso do IBGE. O salário mensal, que é calculado com base na produtividade (entrevista em residências), pode superar os R$ 4,5 mil, de acordo com o município.

O IBGE disponibilizou um simulador no próprio site para que os interessados façam as contas. No caso de Belo Horizonte, o recenseador que cumprir jornada de 50 horas semanais poderá ganhar até R$ 4.336,16.

Para isso, terá de realizar 101 entrevistas em cada semana. 

Mas o valor estimado na capital não é o maior do Estado. Em Betim, na região metropolitana, onde Daniel Souza mora, a cifra pode chegar a R$ 4.608,16 na área urbana e a R$ 4.766,28, na rural.

O Instituto leva em conta as características de cada município, além de fatores como dificuldade de acesso e até o tempo médio das entrevistas.

Em Serra da Saudade, região Centro-Oeste de Minas e município menos populoso do país, com 815 moradores, o vencimento pode chegar a R$ 2.590,36, se o trabalho for realizado na área urbana. Na rural, R$ 2.848,48. 

No caso dessa cidade, o IBGE calcula que o recenseador que trabalhar 50 horas por semana conseguirá fazer 86 entrevistas a cada sete dias.

Os recenseadores serão submetidos a uma prova objetiva com questões de língua portuguesa, matemática, ética no serviço público e conhecimentos técnicos.

Quem desejar fazer o concurso temporário do Instituto precisa fazer a inscrição no site www.cebraspe.org.br.