Boa notícia para quem mora na capital mineira: não mais serão construídos prédios sobre a fachada de imóveis tombados. Uma prática iniciada há muitos anos. No começo, a prefeitura permitiu que conhecida construtora erguesse um prédio no lote de uma casa tombada na esquina das ruas Gonçalves Dias com Sergipe, a um quarteirão da Praça da Liberdade, preservando a casa inteira e o espaço sobre ela.

Ninguém reclamou, e cresceu a ambição das empresas. Outras casas tombadas não perderam apenas o jardim e o quintal, mas tudo o que estava acima do telhado – sol, nuvens, estrelas... Uma paisagem mudada pelo aço. Essas edificações simbióticas, em estilo moderno, como que esmagam aquelas que seriam preservadas por sua importância histórica ou arquitetônica, construídas que foram quando a cidade era ainda muito jovem. Em alguns casos, preservou-se não mais que a fachada.

Esse seria o destino, temia-se, das casas tombadas da rua Congonhas, no bairro Santo Antônio, que serviram de cenário a “Menino Maluquinho”, o filme famoso do cineasta mineiro Helvécio Ratton baseado numa história do também conhecido escritor e desenhista mineiro Ziraldo. Uma dessas casas havia sido residência do escritor João Guimarães Rosa que tinha ferroviários como vizinhos.

No entanto, em entrevista ao Hoje em Dia, publicada na véspera do Natal, o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas José de Oliveira, garantiu que “não existe mais isso de tombamento apenas de fachada. Protege-se o bem inteiro”. No caso dessas casas da rua Congonhas, o que se protege é todo o conjunto, disse. Assim, não será construído ali nenhum edifício, “pois as casas são tombadas integralmente, incluindo os quintais e o interior das mesmas, pelo Conselho de Patrimônio Cultural”, afirmou Leônidas.

A Fundação presidida por ele foi criada por lei em 2005 e está vinculada ao gabinete do prefeito. Espera-se que Leônidas tenha o respaldo de Marcio Lacerda e influência bastante no meio cultural da cidade para que possa manter a decisão anunciada. A Fundação Municipal de Cultura não tem poderes para impedir que prédios de apartamentos sejam construídos no lugar dos chalés que ficam atrás das casas tombadas, com saída para outra rua, pois isso é regido pelo Plano Diretor.

O ideal é que o Plano Diretor, que tem permitido a desfiguração do tradicional bairro de Santo Antônio, com torres residenciais substituindo antigas casas, não seja piorado ainda mais. Mas, quando um bairro protegido como o Cidade Jardim se acha hoje ameaçado por alterações propostas por vereadores apoiados nas eleições por grandes empresas construtoras, fica claro que não é uma tarefa fácil, a dessa Fundação.

O que não a dispensa de zelar para que os bens tombados sejam restaurados e preservados pelos proprietários.