A pandemia do coronavírus aqueceu, e muito, o mercado de imóveis usados em Minas Gerais. Levantamento do Painel do Mercado Imobiliário (PMI) produzido pela plataforma Kenlo mostra que, em 2020, o crescimento de procura e negociações para compra e aluguel desse tipo de imóvel foi de 105%. 

Entre o segundo trimestre (mês em que se iniciou a quarentena no Brasil) e o último do ano, o crescimento foi ainda maior: foram fechados 2.143 contratos de aluguel ou venda de imóveis usados no Estado, 109,7% acima do mesmo período de 2019.

Nos dois últimos trimestres do ano, a aceleração tornou-se ainda mais evidente, segundo o estudo: houve aumento de 149,85% e 113,19% no terceiro e quarto trimestres, respectivamente. Em termos de visitas a imóveis disponíveis, após queda no segundo trimestre, o registro foi de 9,56% de alta nos dois últimos trimestres de 2020. 

Para a especialista de mercado da Kenlo, Denise Ghiu, o aquecimento tem relação direta com o comportamento das pessoas, bastante modificado pela pandemia. “Muitas famílias deram continuidade a negócios que já estavam em andamento, mas um número significativo delas também teve como motivação para comprar ou trocar de imóvel, justamente, a nova situação”, explica ela.

Outro levantamento, feito pela Rede Netimóveis, apontou subida de 12% no número de negociações de casas e apartamentos em Belo Horizonte no último trimestre de 2020, comparado aos registros do trimestre anterior. As baixas taxas de juros foram combustível para a ampliação das vendas, ainda mais em um cenário de queda de rendimento nas aplicações tradicionais – muitas delas beirando resultados negativos.

Para o advogado Kenio Pereira, presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB/MG, a busca por investimentos em imóveis, em cenário como o que se apresentoua partir de 2020, foi natural. “Sabemos que os imóveis sempre foram um porto seguro para investidores. Em setembro, já tínhamos vendido mais do que em todo o ano de 2019”, diz ele.

A tendência, para este ano, é de que tenha continuidade a grande procura por imóveis residenciais, seja para compra ou aluguel. De acordo com Denise Ghiu, da Kenlo, os negócios serão impulsionados, sobretudo, pela oferta atraente de crédito imobiliário e por novos serviços, como o home equity (crédito imobiliário com garantia do imóvel). 
“O significativo aumento de 2020 aponta para a manutenção do crescimento, neste ano”, afirma. 

Demanda por casas e apartamentos cria longas listas de espera em imobiliárias da capital 

Com a demanda em alta, proprietários de imóveis residenciais estão tendo até dificuldade para atender as inúmeras famílias em busca de novas moradias A advogada Maria Luísa Barbosa, administradora de carteira de imóveis na capital, viu o número de contratos de aluguéis fechados crescer em mais de 30%, em 2020. 

Com isso, claro, os preços do aluguéis também estão em elevação. Mas isso desanima futuros inquilinos, que, para garantir os imóveis, fazem a opção de pagar mais caro. “Já está difícil atender todas as pessoas que procuram por aluguel. A maioria das famílias quer imóveis de mais alto padrão e a oferta está cada vez mais rara”, afirma a administradora.

O presidente da comissão de direito imobiliário da OAB/MG, Kênio Pereira, afirma que a fila de espera para conseguir imóveis na região Centro-Sul da capital, por exemplo, aumentou 5% nos últimos três meses de 2020, em comparação com o 3º trimestre do mesmo ano. 

Para Pereira, o grande desafio do setor, hoje, é conseguir suprir tal demanda. “As imobiliárias estão tendo que contratar profissionais específicos para a captação de imóveis residenciais para conseguir diminuir a fila de espera de clientes”, diz o advogado.

“Também estamos trabalhando para convencer proprietários que estavam decididos a vender seus imóveis a alugar, mostrando que é o melhor negócio para eles no momento, já que o mercado aquecido garante renda em valor muito acima do que era antes da pandemia”, completa Pereira.

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