SÃO PAULO (SP) – O Inmetro é uma verdadeira mãe para a indústria do automóvel. Elaborou um documento que dita os preceitos para classificar um veículo como utilitário-esportivo (SUV) ou não. Em tese, basta seguir pelo menos três regras do texto para que o automóvel seja considerado desbravador de novos mundos.

E nessa toada o Renault Kwid se faz valer da cartilha, pois preenche quesitos como ângulo de ataque, de saída e altura livre do solo. Aos olhos do Instituto de Metrologia, o Kwid é um SUV. E a Renault resolveu dar uma incrementada no modelo, coma a versão Outsider, que surge como topo de linha e com uma pegada aventureira.

E nesse ponto gera uma certa confusão. Desde o final dos anos 1990 começaram a pipocar no Brasil modelos aventureiros, com pneus de uso misto, molduras nos para-lamas, rack de teto e outros elementos que os aproximavam dos utilitários. E seguindo essa lógica, o Kwid Outsider é a opção aventureira do indiano, que já se dizia aventureiro.

O carro
Filosofia de botequim à parte, fato é que a versão surge como uma opção interessante para quem busca um automóvel com bom conteúdo. Oferecido por R$ 43.990, o carrinho é a opção mais bem equipada e com menor preço do mercado brasileiro.

Seu pacote inclui itens como direção elétrica, vidros dianteiros elétricos, ar-condicionado, central multimídia (que passa a contar com conexões Apple CarPlay e Android Auto), câmera de ré, quatro airbags e faróis de neblina. Ou seja, não tem como incluir tudo isso num carro novo com menos dinheiro.

De resto, o Outsider segue com as demais versões da gama. Seu motor três cilindros 1.0 de 70 cv é o mesmo dos demais. Apesar de ser bem mais fraco que a opção servida aos irmãos Sandero e Logan, a unidade dá conta do recado. O Kwid é bem levinho, e os 9,8 mkgf de torque são suficientes para empurrar seus 780 quilos. O problema é que toda força do motor só aparece acima dos 4 mil rpm. Ou seja, tem que esgoelar o carrinho, principalmente quando estiver com lotação máxima.

Caverna do Dragão
Há poucos dias surgiram especulações de que a animação dos anos 1980 “Caverna do Dragão” ganharia um filme em formato Live Action (com atores reais). A história se espalhou na internet e fez a alegria de quem cresceu assistindo o desenho protagonizado por Mestre dos Magos, no Show da Xuxa. No entanto, o “filme”, na verdade, faz parte da campanha de lançamento da versão Outsider.

Executivos da marca francesa encontraram no desenho um ingrediente de apelo emocional para seu perfil de público, que é formado justamente pela criançada que cresceu vendo as desventuras dos garotos que nunca conseguiam voltar para casa, no programa matinal da apresentadora gaúcha.

No comercial, os personagens finalmente poderão voltar para o mundo real, à bordo do Kwid. Resta saber se vai caber todo mundo dentro do diminuto hatch franco-indiano.