A inflação na casa dos 6,75% ao ano – 0,25 ponto percentual acima do teto da meta estipulada pelo governo, com teto de 6,5% ao ano – fez com que alguns produtos saíssem da mira dos consumidores na hora de fazer as compras de reposição nos supermercados. Isso significa que, se na primeira compra do mês o sabão em pó da marca líder entra no carrinho, por exemplo, na segunda ele passa longe.

“O fenômeno ainda não é generalizado. O crescimento da opção pelos produtos de segunda linha vai depender de como iremos entrar em 2015”, avalia o superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues.

De acordo com ele, a expectativa é de que haja uma retração da inflação, fazendo com que o comportamento do consumidor volte ao habitual no médio prazo. “Acreditamos que o governo tome providências para acelerar a economia. Assim que o Ministro da Fazenda for anunciado, teremos melhores condições de avaliar a situação futura do país”, diz o superintendente.

O advogado Wellington Martins, de 30 anos, ainda não sente a renda ser corroída pela inflação, mas já faz substituições preventivas na hora de abastecer a casa.

“Muitas vezes escolhia o produto pela marca. Agora, avalio bem e, às vezes, escolho pelo preço”, diz, segurando um caldo de carne de segunda linha, escolhido pelo critério econômico.

Já a salgadeira Célia Maria de Souza, de 46 anos, afirma que sente na pele a redução progressiva do rendimento mensal. Por isso, substitui até mesmo os produtos da cesta básica, como arroz e feijão. “Gosto de uma marca específica de arroz, mas deixei de comprá-la porque ficou cara”, lamenta.

Mais afetados

Conforme o vice-presidente do Conselho Regional de Economia em Minas Gerais (Corecon-MG), Pedro Paulo Pettersen, qua[/LEAD]nto menor a renda do consumidor, maior a “baforada do dragão”. O motivo é o peso da inflação de alimentos sobre a renda.

“A participação da alimentação no comprometimento da renda de quem ganha menos é maior”, explica. No supermercado Baixadão, localizado no bairro Salgado Filho, na Região Oeste de Belo Horizonte, a substituição dos produtos é forte há pelo menos três meses. Segundo o gerente, Ermelindo Ribeiro Soares, o público do estabelecimento faz a opção pelo que há de mais barato em todas as seções do mercado.

Mas o que deveria ser um complicador, acabou por se transformar em uma estratégia de vendas. “Colocamos o produto mais em conta ao lado do mais caro. Mesmo que a pessoa não precise daquilo, ela vê que está mais barato do que a marca líder e acaba levando”, comenta o gerente.

Números gerais

De acordo com o Termômetro de Vendas da Amis, divulgado nesta sexta-feira (31), os supermercados de Minas Gerais registraram elevação de 1,5% nas vendas entre janeiro e setembro de 2014, na comparação com igual período de 2013. Em setembro deste ano sobre o mesmo mês de 2013, o resultado ficou positivo em 0,36%.