A ex-presidente da Petrobras Maria das Graças Foster afirmou nesta quinta-feira, 26, que o câmbio atual é inimigo da Petrobras. "O câmbio acima de três reais é muito ruim para a Petrobras", disse.
Ela afirmou, entretanto, que a empresa ainda consegue manter resultados positivos. "Mesmo assim, temos uma defasagem de preços de combustível que melhora o caixa da Petrobras", afirmou, em depoimento na CPI da Petrobras.

A gestora defendeu ainda a exploração do pré-sal. Segundo ela, o pré-sal continua sendo uma grande oportunidade. "É importante que a Petrobras continue investindo em tecnologia para que continue a ser competitiva", disse.

Foster disse ainda que quem descobriu a corrupção na estatal foi a Polícia Federal. Segundo ela, não foi um auditor externo, nem foi a própria Petrobras que descobriu a corrupção na companhia. Graça afirmou que, até os depoimentos das delações premiadas, não houve chamamento de nenhuma auditoria sobre os números da estatal.

Ela ponderou que o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria Geral da União (CGU) colaboram com a gestão da empresa. "É sempre positiva a interação com o TCU", disse. "Somos uma empresa controlada pelo governo e devemos obediência e disciplina a esses tribunais", completou.

Graça afirmou ainda que, em geral, a Petrobras chega a números muito próximos aos de relatórios do TCU. "Em geral, o TCU está correto", afirmou.

Graça ainda afirmou que em 2014, a companhia foi surpreendida pela operação da Polícia Federal.

"A Lava Jato atrasou o nosso balanço e dificulta o acesso ao mercado financeiro", disse, ponderando que, apesar das dificuldades, a Petrobras bateu uma série de recordes no ano passado. "Batemos recorde de produção de óleo, de gás, de fertilizantes, nossa capacidade de refino cresceu, batemos recorde de geração de energia elétrica", afirmou.

A executiva afirmou que o atual presidente da estatal, Aldemir Bendine, vem fazendo um trabalho intensivo para que a empresa consiga publicar o balanço e "virar essa página", lembrando que está aposentada há cerca de 50 dias e comparece à CPI como cidadã.

Empregos

Graças Foster afirmou ter uma "preocupação absurda" com a manutenção de empregos na estatal em meio às investigações da operação Lava Jato.

"A operação Lava Jato levou a Petrobras a determinadas situações preventivas em relação à contratação de empresas apontadas como parte de um cartel", disse, ressaltando que, mesmo em processo preliminar de investigação, a empresa não pode manter os contratos com essas empreiteiras.

Ela afirmou que o governo vem atuando fortemente na busca de uma solução para garantir esses empregos que, segundo ela, chegam a 100 mil postos. "Temos que ter racionalidade. O sonho tem hora que tem que ficar de lado", disse.