Quando se fala em pesquisas de opinião, logo vem à mente as de cunho político, especialmente aquelas realizadas durante os períodos eleitorais. No entanto, essa ferramenta está muito além da política, sendo utilizada por empresas dos mais diversos setores, e impacta diretamente o cotidiano de cidadãos e consumidores.

Para Murilo Hidalgo, presidente da Paraná Pesquisas, prestadora com quase 30 anos de expertise na área, “é inadmissível, hoje, um empresário pequeno, médio ou grande abrir qualquer negócio sem conhecer o segmento, o que pensam os clientes, onde consomem, quanto estão dispostos a pagar, qual o melhor ponto comercial – caso seja um comércio – quantas pessoas passam por ali e qual o perfil delas”.

Contudo, os pequenos empreendedores, que, na tese do especialista, “se errarem, são os que mais sofrem”, ainda não têm a cultura de utilizar o recurso. A eles, Hidalgo recomenda que, mesmo sem poder investir, procurem conhecimentos para realizar suas próprias análises e a ajuda de instituições que forneçam apoio nesse sentido, como o Sebrae.

Enquanto as grandes empresas, redes e conglomerados não lançam produtos ou serviços sem antes aplicar altos investimentos em pesquisa, o hábito de ignorar a utilidade do mecanismo contribui para que os pequenos “deem largada em ampla desvantagem”, nas palavras do presidente do instituto. 

A prática também reforça o imaginário impreciso de que as pesquisas estão apenas vinculadas ao meio político. Apesar de serem os contratantes majoritários desse serviço, políticos não são os únicos.

Idoneidade

Os segmentos atendidos por institutos de pesquisas são vários. Hidalgo cita governo, prefeituras, companhias de água, luz e gás, regionais da OAB e entidade nacional, clubes de futebol, concessionárias de pedágio, veículos de comunicação, farmácias e outros. O que garante a independência da instituição é prestar serviço para todos eles de forma isenta, atendendo, por exemplo, a qualquer partido político, sem diferenciação.

“Lógico que nunca ferimos o interesse de nossos clientes. Se estamos trabalhando para um, estamos temporariamente impedidos de oferecer préstimos ao outro. Mas é fato que atuamos com variados setores e ideologias”, explica o executivo.

Além disso, outro fator que salvaguarda a idoneidade das empresas de pesquisa é a transparência da entidade para com os clientes, desde as reuniões de negociação e fechamento do contrato, quando são acertados os objetivos e a metodologia – geralmente, a aplicação se dá presencialmente, por telefone ou via internet. Tudo isso interfere nos custos, que são igualmente variáveis.

Já a acertabilidade das pesquisas é altíssima, ultrapassando os 90%. A ideia contrária, na visão de Hidalgo, deve-se aos erros chamarem mais a atenção do público do que os acertos, especialmente em épocas de campanhas eleitorais.

O que poucos percebem, todavia, é como as pesquisas afetam largamente a rotina da população, tanto as mercadológicas – que podem abrir caminhos para o surgimento de novas tecnologias e plataformas – quanto as governamentais, que irão basear decisões políticas.

“A pesquisa é como uma fotografia do momento em que foi realizada. Se pensarmos em uma sopa, com cinco minutos de fervura, ela tem um sabor; com dez, outro. Assim, é uma amostra daquele instante”, diz Hidalgo.