A jornalista Andrea Neves, irmã do ex-governador de Minas Gerais e hoje deputado Aécio Neves (PSDB), optou pelo silêncio em depoimento à Polícia Federal, na tarde dessa terça (11), em Belo Horizonte. 

Ela esteve na sede da corporação por cerca de 50 minutos para ser interrogada sobre a operação Escobar, deflagrada na semana passada para apurar supostos vazamentos de informações confidenciais de dentro da própria Polícia Federal em conluio com advogados. Dois policiais e dois advogados foram detidos na Escobar.

Na prática, a linha de investigação apura se os advogados teriam tido acesso privilegiado às informações apuradas pela corporação e as usado para oferecer facilidades ilegais a clientes, como Andrea Neves.

A Polícia Federal considerou que o vazamento de informações sigilosas “não só prejudicou diversas investigações como coloca em risco a segurança dos policiais envolvidos nos trabalhos”.

Um dos papéis encontrados na residência dela, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, chamou atenção dos federais. Trata-se do depoimento sigiloso de Joesley Batista, dono da JBS e delator da família Neves na operação “Lava Jato”.

Em 2017, Andrea foi presa pela Polícia Federal após denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) de que ela teria pedido em nome do irmão R$ 2 milhões a Joesley. A jornalista, à época, foi encaminhada para a penitenciária feminina Estevão Pinto, em Belo Horizonte, onde ficou detida por cerca de um mês. Ela teve a prisão preventiva convertida para domiciliar e deixou o local com uma tornozeleira eltrônica.

Risco

Já na semana passada, quando a Escobar foi deflagrada, a jornalista estava no Rio de Janeiro e teria se comprometido a prestar depoimento nessa terça. Andrea Neves chegou à sede da corporação acompanhada do advogado, Hermes Guerrero. Ela também optou pelo silêncio diante dos jornalistas que a aguardaram na saída da sede da corporação.