O irmão da belo-horizontina Aliny Mendes, morta a facadas pelo ex-companheiro em Londres, na Inglaterra, chegou na madrugada desta terça-feira (12) na capital inglesa para tentar agilizar os trâmites sobre o traslado do corpo. A família da vítima também deve tentar conseguir a guarda dos quatro filhos da mineira, que tinha 39 anos. 

As crianças, três meninos de 6, 8 e 12 anos, e uma menina de 3 anos, estão provisoriamente no abrigo "foster care". O local é uma espécie de lar adotivo em que pessoas se disponibilizam a cuidar de crianças em suas casas e recebem uma remuneração do governo inglês para isso. O pai das crianças foi preso em flagrante e, por enquanto, os parentes da mineira não querem passar outras informações sobre o caso. 

Nas redes sociais, amigos de Aliny fizeram uma vaquinha virtual para arrecadar dinheiro para trazer o corpo dela de Londres para Belo Horizonte. Uma das campanhas, que pretendia recolher 40 mil euros, bateu a meta e, até esta terça, já conseguiu 47,912 mil euros. Em outra plataforma, em que a intenção era arrecadar R$ 50 mil, o valor está em R$ 7.100.

O Itamaraty foi procurado pela reportagem para comentar se já foi comunicado do crime e se há informações sobre o traslado do corpo de Aliny para BH, mas até a publicação desta matéria não havia se manifestado.

Violência

Aliny Mendes já tinha uma medida protetiva contra o suspeito antes de ser assassinada. Residentes em Surrey, na Inglaterra, o casal manteve um relacionamento de mais de 15 anos. Porém, há cerca de seis meses o empresário, de 41 anos, que também é natural de BH, teria pedido a separação. Ele é dono de um negócio de manutenções residenciais na cidade. 

Nos últimos meses, o suspeito e Aliny estavam morando em casas separadas, sendo que ela ficava com os quatro filhos do casal. A caçula estava no colo da mãe quando o ex-marido a esfaqueou na porta de uma escola primária, segundo a imprensa local. 

O crime na última sexta-feira (8), quando Aliny havia ido buscar os filhos na escola. Quando ela estava perto da instituição com a filha mais nova no colo, o ex-companheiro chegou em um carro acompanhado por outro homem, desceu do veículo e esfaqueou a ex-mulher, que acabou morrendo no local. Em seguida ele fugiu, mas foi preso pouco tempo depois e acusado pelo homicídio nesse domingo (10). 

Ele permanece preso enquanto aguarda julgamento. O outro homem que estava no carro seria um funcionário do suspeito e também foi detido, mas já está solto.   Por causa da chamada proteção de segurança social, o equivalente a uma medida protetiva no Brasil, o homem não podia se aproximar da ex-companheira.   

A situação das crianças

Para que as crianças deixem o abrigo, segundo especialistas, é necessário que os familiares da vítima ou do suspeito reivindiquem na Justiça brasileira a tutela dos menores. É o que explica a advogada especialista em Direito de Família Thaís Câmara, conselheira seccional da OAB Minas. "Nestes casos, as crianças devem ser encaminhadas para a família extensa. Se fosse no Brasil, por exemplo, a Justiça já privilegiaria que os menores fossem para lares de familiares ao invés de um abrigo. Mas, neste caso, a família materna ou paterna terá que reivindicar na Justiça a guarda das crianças para que elas venham para o Brasil", explica. 

Caso haja alguma disputa entre os familiares maternos e paternos sobre a tutela das crianças, isso também deverá ser resolvido na Justiça. "O pai pode ser uma pessoa tenebrosa, mas isso não significa que a mãe dele ou o pai também sejam. Os familiares extensos podem ser carinhosos e afetivos com as crianças. O que pesa na decisão, neste caso, é o vínculo afetivo com os menores. Nestas situações a decisão sempre preza pelo melhor interesse das crianças", explica.

Há ainda a possibilidade de uma guarda compartilhada entre as famílias, caso os familiares paternos e maternos resolvam reivindicar a tutela, ou mesmo a reivindicação da guarda por parte de um parente distante ou alguém que não seja da família. "Se houver outra pessoa, um familiar distante ou mesmo uma amiga da mãe, por exemplo, que tenha um vínculo afetivo com as crianças, ela também pode pedir a guarda das crianças e adotá-las. O que interessa é o vínculo afetivo que os potenciais tutores estabeleceram com os menores, e não necessariamente o vínculo biológico", explica. (Colaborou Juliana Baeta)

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