O Itaú Unibanco anunciou nesta quinta-feira (31) a compra da participação que o BTG Pactual detém na Recovery - uma empresa que se dedica a recuperar empréstimos em atraso - e de parte da carteira de créditos inadimplentes do banco de André Esteves. A transação, de R$ 1,2 bilhão, foi a terceira venda feita pelo BTG desde que seu fundador foi preso no início de novembro, por suspeita de tentar obstruir as investigações da Operação “Lava Jato”.

Em comunicado divulgado ao mercado, o Itaú informou que fechou um acordo para comprar a fatia de 81,94% do BTG na Recovery - companhia argentina que também tem como sócios o IFC, braço de investimentos do Banco Mundial, e investidores argentinos.

Por essa participação, o Itaú vai desembolsar R$ 640 milhões. Ao mesmo tempo, o maior banco privado do País vai adquirir cerca de 70% de um portfólio de R$ 38 bilhões em direitos creditórios que pertence ao BTG, por R$ 570 milhões, que serão pagos em espécie. O negócio ainda está sujeito a autorizações regulatórias e governamentais, além do cumprimento de algumas condições.

Fundada há 15 anos na Argentina e presente no Brasil desde 2006, a Recovery é líder na gestão e cobrança de créditos inadimplentes, com participação de mercado de 67% no Brasil, onde estão concentradas 90% de suas atividades. Com R$ 45 bilhões de créditos administrados e 11 milhões de pessoas em carteira, a empresa faturou no ano passado R$ 60 milhões.

Entre os clientes da companhia, estão os bancos Santander e a Caixa Econômica Federal, além de estabelecimentos comerciais. Eles repassam à Recovery, por exemplo, a função de recuperar dívidas com mais de 180 dias em atraso. Além de prestar esse tipo de serviço, a empresa que passará a ser controlada pelo Itaú também compra carteiras de créditos inadimplentes.

Procurada, a assessoria de imprensa do BTG disse que o banco não comentaria o negócio. O Itaú deve detalhar a aquisição na semana que vem. Uma das dúvidas em relação a essa operação é sobre como fica a relação do Itaú Unibanco com as instituições financeiras que já são clientes da Recovery.

Na nota divulgada ontem, o banco reforçou que dará continuidade à prestação de serviços para terceiros. "A expertise da Recovery e de sua equipe de gestão na prestação de serviços de recuperação de créditos em atraso otimizará a operação do Itaú Unibanco, o que, em conjunto com a continuidade na prestação de serviços para terceiros, resultará em um maior potencial de crescimento para as atividades da Recovery", diz o comunicado.

Doze dias antes de anunciarem a operação envolvendo a Recovery, os dois bancos já haviam fechado um negócio. O BTG vendeu cerca de R$ 900 milhões em créditos e títulos de renda fixa para o Itaú BBA. Considerando as duas transações, o grupo Itaú ficará com o equivalente a 0,5% do total de ativos do BTG Pactual.

Mais enxuto

O banco de André Esteves está se desfazendo de alguns negócios e dando uma pausa em novos empréstimos desde que seu fundador e ex-controlador foi preso no fim de novembro. A prisão levou a saques de clientes e dificultou o acesso do banco a financiamento. O banqueiro deixou penitenciária no Rio de Janeiro no dia 18 de dezembro para cumprir prisão domiciliar.

O esforço do BTG para levantar dinheiro começou com a venda da Rede D’Or, maior rede de hospitais privados do país, para o fundo soberano de Cingapura GIC, por R$ 2,3 bilhões, no começo de dezembro. Há três dias, o banco também se desfez da fatia que mantinha em uma concessionária de água da Catalunha, por valor estimado em 60 milhões de euros.

Outras negociações ainda estão em curso, como a venda da rede de estacionamento Estapar, a participação no Uol, na rede de academias Body Tech, na montadora Mitsubishi, e em ativos menos atraentes, como BR Pharma, a varejista Leader. O BTG também tenta vender o banco.